Quinta-feira, 11 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 25 de setembro de 2023
Abrigos e centros de atendimento do México estão lotados em razão do fluxo de sul-americanos, que pela primeira vez chegam ao país em maior número que os centro-americanos. Em um abrigo da Cidade do México, já não havia mais espaço. Quinhentos migrantes lotavam o centro de acolhimento, com capacidade para 100 pessoas. Ao sul, próximo da fronteira com a Guatemala, pessoas fartas de tanto esperar atacaram um escritório de ajuda a refugiados após semanas aguardando atendimento para receber os documentos que lhes permitiriam seguir viagem para o norte.
E em Tijuana, quase todos os 32 abrigos municipais estavam lotados na última semana, conforme migrantes de aproximadamente 70 países esperavam pelo atendimento para solicitação de asilo dos EUA ou uma chance de se esgueirar através da fronteira.
Cenas similares ocorrem em todo México conforme o sistema imigratório do país é pressionado por uma maré de gente desesperada tentando rumar para o norte. O aumento desmedido tem ocasionado respostas confusas no México, entre interdições de ferrovias que rumam para o norte e transportes de pessoas em ônibus para regiões com menos migrantes.
As autoridades americanas também estão lidando com uma nova onda de travessias ilegais que pressiona recursos do governo e dificulta a situação de autoridades locais à medida que milhares de migrantes são liberados da custódia das autoridades federais. Na última quarta-feira, milhares de pessoas cruzaram para Eagle Pass, Texas, levando o prefeito a declarar estado de emergência e a um acionamento de 800 militares na ativa para ajudar a processar as chegadas.
No México, o número de sul-americanos supera o de centro-americanos pela primeira vez desde que os dados começaram a ser coletados. As autoridades mexicanas registraram 140.671 migrantes de países sul-americanos nos primeiros sete meses do ano, em comparação a 102.106 centro-americanos, com números recorde de venezuelanos e equatorianos.
Esses padrões migratórios em mudança são particularmente visíveis na região do “tampão” de Darién, o trecho de floresta densa que conecta Colômbia e Panamá. Os migrantes que mais atravessam são venezuelanos e equatorianos; e uma explosão na quantidade de travessias produziu uma indústria de milhões de dólares.
Em 2022, cerca de 250 mil pessoas atravessaram a selva de Darién, um recorde anual. Até 18 setembro deste ano, o número de travessias tinha aumentado para 380 mil, segundo autoridades panamenhas.
Vários fatores impulsionam o êxodo. Na Venezuela, a economia engasgou novamente, depois de sinais recentes de uma melhora desigual. No Equador, a violência relacionada ao narcotráfico foi às alturas, e o assassinato recente de um candidato presidencial deixou muitos sem esperança de que a situação possa melhorar.
Autoridades guatemaltecas afirmam ter observado um aumento notável no número de migrantes nas últimas três semanas e planejam mandar mais soldados e policiais para intensificar a segurança na fronteira.
Ainda que não haja nenhuma estimativa oficial, o Comitê Internacional de Resgate afirma que aproximadamente 5 mil pessoas chegam diariamente à fronteira sul do México para serem processadas pela agência de ajuda a refugiados na cidade de Tapachula. Outros milhares de migrantes que não se registram seguem caminho para o norte clandestinamente.
Até aqui, a agência recebeu 99.881 solicitações de asilo, um número sem precedentes, de acordo com dados fornecidos pelo governo. O México deverá receber cerca de 150 mil solicitações de asilo em 2023, um recorde, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. Em 2022, o México processou 118.570 solicitações. As informações são do jornal The New York Times.
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