A 9 de dezembro de 1965, havia expectativa sobre a criação de um bloco oposicionista denominado Movimento Democrático (MD). O Ato Institucional número 2, de 27 de outubro do mesmo ano, havia dissolvido partidos políticos entre os quais PSD, PTB, UDN, PL,PRP e PL.
Em Brasília, era aguardada a edição do Ato Complementar 5 que marcaria um fato inédito na história política: o lançamento de um partido político por decreto do governo. Só tinham aparecido 18 senadores para formar o MD e o mínimo exigido, de acordo com o Ato Complementar 4, eram 20.
O jornalista Flávio Tavares escreveu em sua coluna da Última Hora, do Rio de Janeiro: “A oposição e os oposicionistas, à frente de fato consumado, dispunham-se ontem em Brasília a entregar os pontos, concluindo que não há número suficiente de senadores para constituir o Movimento Democrático.”
Acrescentou Tavares: “Só um milagre a suceder rapidamente, de hoje para amanhã, poderá fazer com que os não-governistas atinjam o quorum mínimo de 20 senadores para fazer nascer seu partido. É possível que o milagre se suceda em um Congresso cada dia mais caracterizado por fatos surpreendentes e, no último minuto, dois ou três senadores dispostos a enfrentar a situação cheguem a Brasília de caneta em punho para firmar o documento oposicionista.”
Seguiu na análise: “A solução será apenas uma: a varinha mágica do Presidente da República resolverá o problema. O Ato Complementar 5, por ora repousando nas gavetas palacianas, será editado para, benevolamente, permitir que a oposição de articule com qualquer número ou, pelo menos, com proporção menor do que o Ato Complementar 4.”
Passados quase 50 anos da criação do MDB, que depois se tornou PMDB, a atuação de sua maioria está bem distante das origens. Época em que eram indispensáveis coragem e coerência.