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Futebol Galvão Bueno critica uma Copa do Mundo com 48 seleções

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A operação do narrador esportivo acontece em um momento delicado, isso porque ele está entre os principais nomes que vão cobrir a Copa do Mundo 2026 no SBT. (Foto: Rogério Pallatta/SBT)

Galvão Bueno está de casa nova. Depois de décadas na Globo, o narrador ficou um ano na Band e agora começa a soltar a voz no SBT. O experiente locutor terá um programa semanal, o Galvão F.C., que é exibido toda as segundas-feiras, às 22h30min.

Empolgado por trabalhar na emissora do “maior comunicador que o Brasil já teve”, Silvio Santos, Galvão projeta a transmissão da Copa de 2026 no SBT, edição que, novamente, diz ser sua última. O locutor de 75 anos ainda falou ao jornal O Estado de S. Paulo sobre Neymar na Seleção, a relação entre a política e o futebol, Fifa, entre outros temas. Leia a seguir, os principais trechos da entrevista.

– Nos últimos tempos, temos assistido às aproximações políticas produzidas no meio da futebol. O presidente da Fifa, Gianni Infantino e Donald Trump, presidente dos EUA, por exemplo. Na CBF, o ‘Estadão’ tem feito reportagens sobre a relação entre o poder em Brasília e a gestão da entidade. Futebol e política devem se misturar? “Não. Absolutamente não. Uma Copa do Mundo com 48 seleções tem algumas muito fracas. Se tornou business em excesso. O mesmo se o Mundial de Clubes fizer o mesmo caminho. A CBF, com a política, pode ter estado mais envolvida, mas não acho (que futebol e política devem se misturar). São coisas completamente distintas. Sobre política, não falo, apesar das minhas posições e convicções. Eu sei que influencio muita gente, por isso não tenho o direito de me manifestar. Além do que, tem uma frase que criei e define bem isso: ‘Falo para um País inteiro, independentemente de raça, credo, cor, ideologias e de preferências pessoais’. Não dá para misturar futebol com política.”

– Há outra frase que você costuma repetir, sobre ser um ‘vendedor de emoções’. O que você pensa sobre a geração atual de narradores? “Tem muita gente boa. Só acho que gritam demais. Isso me incomoda um pouco. Não precisa berrar tanto. Há momentos certos de gritar. É como eu faço, Luciano do Valle fazia. Trabalhei com Cleber Machado e Luís Roberto, dois grandes narradores (hoje na Record e na Globo, respectivamente). Além de ‘vendedor de emoções’, digo que sou um equilibrista. Trabalho no fio da navalha. De um lado estão as emoções, mas do outro lado há a realidade. Esse é o caminho. Você já viu equilibrista nunca cair? Imagina quantas vezes já caí… E quando cai, pede desculpas e segue em frente.”

– Você conta que no Catar, em 2022, conversou com o então presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, e sugeriu Ancelotti para técnico da Seleção. Se o Brasil vencer em 2026, você terá a noção de que teve participação nessa conquista? “Alguma participação na contratação pode ter havido. Falei ao Ednaldo que ele deveria ter um técnico engatilhado e nomeá-lo assim que o Brasil fosse eliminado da Copa ou depois que ganhasse o título, dada a saída do Tite. Ele disse que teria de esperar um pouco e me perguntou quem deveria ser o novo técnico. Fiz uma pergunta: ‘Você quer um técnico brasileiro ou atenderá os pedidos por um estrangeiro?’. Ele me disse que queria trazer um estrangeiro, então disse que só havia um: Carlo Ancelotti.”

– Desde 2010, você costuma apontar a próxima Copa como sua última. Em 2026 será sua última de fato? “Em 2010, as pessoas não entenderam. Já havia um acordo com a Globo para parar as narrações após a Copa de 2014, no Brasil, que seria um grande momento. A gente tinha feito um acerto que provavelmente o Tiago Leifert entraria no meu lugar e hoje estamos juntos no SBT. Pedi a palavra para agradecer as 10 Copas do Mundo (somadas até 2010) e dizia que aquela seria minha última Copa narrando fora do Brasil. Depois, a Globo e eu chegamos à conclusão para seguir até a Rússia. Foi ótima, o Arnaldo parou, o Casagrande fez um lindo discurso. Choramos os dois. E fizemos um acordo para seguir até 2022. Mas no Catar disse que estaria me despedindo da narração em TV aberta. Até continuo fazendo transmissão no streaming. Mas acabei voltando para a aberta, com o SBT. O desafio e o prazer são muito bonitos. Trabalhar na emissora do Silvio Santos. Estão me tratando muito bem. É um ambiente diferente e que vale a pena. Não sei o que vou falar depois, mas provavelmente será minha última Copa.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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