Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 16 de junho de 2019
Apontado pelo ex-presidente da Funai, general Franklimberg Ribeiro de Freitas, como o principal articulador de sua saída do órgão indígena, o secretário especial de Assuntos Fundiários, Luiz Antônio Nabhan Garcia, disse que o general foi demitido porque “é um jogador incompetente”. Ao deixar o comando da Funai, na semana passada, Franklimberg afirmou que Nabhan “saliva ódio aos indígenas”. O secretário rebateu as declarações do general. “É mentira. Estou pensando em processá-lo, por calúnia”, respondeu. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Nabhan disse ainda que o líder indígena Raoni não foi recebido pelo presidente Jair Bolsonaro porque o cacique “é uma farsa” e “não representa índio”. O secretário defende mudanças na política indígena do País, já que hoje, segundo ele, o índio vive “como um bicho, um subnutrido, em condições desumanas”. Nabhan, à frente da secretaria vinculada ao Ministério da Agricultura, paralisou processos de demarcação de terras indígenas e disse que é preciso banir ONGs das relações com os índios.
Questionado sobre se tinha pedido a demissão do presidente da Funai, Franklimberg de Freitas, Nabhan Garcia disse: “Eu não tenho nada a ver com a demissão do Franklimberg. Ele é que se suicidou. Ele sabe qual é a posição do presidente (Bolsonaro) sobre a questão da Funai. O presidente quer uma Funai diferente, que vai lá para assistir o índio, dar logística, uma série de coisas. O que o presidente quer é que o índio integre a sociedade. A todo momento, vinha liderança indígena reclamar que não aguentava mais o jeito que a Funai estava. É por isso que ele saiu.”
A bancada ruralista pressionou pela troca de comando da Funai?
“Havia uma insatisfação da bancada ruralista, isso é evidente. Não dá para esconder. Mas a verdade é que ele (Franklimberg) não seguiu o que o governo pensa, os compromissos que o governo assumiu durante a campanha. O presidente quer um perfil mais conciliador na Funai, que não seja ligado a ONGs. Quer um perfil para ajudar os índios na questão da produção, e não só de alimentos. Quer dar oportunidade de o índio fazer manejo sustentável de floresta, garimpagem, tudo dentro da legalidade.”
Como a Funai deve atuar?
“A Funai é um órgão que tem de defender os índios na saúde, na educação, na logística. O índio tem que ter a oportunidade de ter um filho mestre, advogado. Tem que ter uma estrada boa. Você vai nessas aldeias, às vezes nem consegue chegar de carro. Eles estão jogados lá, em condições desumanas. E é isso que essa Funai queria. Franklimberg teve a oportunidade de seguir as diretrizes que o presidente quer, mas isso não foi feito. É um jogador que não apresentou resultado nenhum, foi incompetente e, por isso, foi retirado do jogo. Pronto.”
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