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Brasil Gestor antecipou esquema do Banco Master e diz estar quebrado

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O caso do Banco Master tem características ainda mais delicadas do que o esquema do “petrolão”. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Na noite do último dia 19, ao encerrar o expediente depois de uma entrevista, o investidor Vladimir Timerman, 46 anos, tinha à sua espera, na portaria do seu escritório em São Paulo, um guarda-costa de quase dois metros.

Gestor de fundos na Esh Capital, Timerman voltou a andar com segurança particular por um pedido de amigos, que se juntaram para pagar as despesas. Se dependesse só dele, continuaria sem a proteção —em parte porque diz não ter o que temer, mas também porque alega não poder pagar.

“Estou quebrado”, contou, atribuindo a situação financeira ao bloqueio judicial de fundos da Esh Capital. Na véspera, o investidor estava em Brasília, depondo, na condição de testemunha, à CPI do Crime Organizado, onde repetiu as denúncias sobre malfeitos de investidores e a incúria de órgãos de controle.

Timerman estava ali por causa do caso do Banco Master. Relatou que o verdadeiro dono da liquidada instituição não é Daniel Vorcaro, mas o empresário Nelson Tanure, um dos alvos da Operação Compliance Zero.

Tanure disse que Timerman apresentou “ilações” aos senadores da CPI e que “nunca foi sócio, controlador ou beneficiário, direto ou indireto” do Master.

Timerman e Tanure travam disputas desde 2021, em torno das ações da Alliança Saúde (então Alliar). O primeiro integrava o grupo dos minoritários, e o segundo comprou uma fatia que lhe permitiria controlar a empresa. Timerman denunciou à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que Tanure praticava insider trading (uso de informação privilegiada), mas a denúncia foi arquivada.

Na Alliança, Timerman praticou o que já fizera com sucesso em empresas como Smiles/Gol, Dimed/Panvel, buscando interferir na gestão a partir de participações minoritárias, modalidade chamada no mercado de “ativismo”. Nos últimos anos, o dono da Esh tornou-se o mais ruidoso gestor ativista do país.

Timerman ilustra assim sua linha de atuação: “Você pode ser passageiro e ficar à mercê de quem dirige o carro ou sentar no banco do motorista. O gestor ativista é aquele que quer participar das decisões, tomar os rumos e implementar melhorias dentro de uma empresa”.

Depois da Alliança, a Esh entraria em novo embate com outra empresa controlada por Tanure, a Gafisa. Houve danos para os dois lados: numa ação da construtora —alegando greenmail, espécie de chantagem sobre os administradores—, a Justiça deferiu uma medida cautelar (preventiva e provisória, mas em vigor há dois anos) bloqueando o fundo Esh Theta, o principal da gestora de Timerman.

O valor sob gestão da Esh estava em R$ 12,5 milhões em fevereiro, segundo dados da Anbima. Reportagem de 2021 do Valor informou que, somando o fundo principal e outros exclusivos, a Esh se aproximava de R$ 1 bilhão sob gestão —apenas o Esh Theta chegou perto de R$ 200 milhões. A queda, diz Timerman, se deve à desvalorização das ações da Gafisa, ao dano reputacional que levou a resgates e perdas com outros investimentos e custos

Além disso, a medida judicial bloqueou o patrimônio dos cotistas do Esh Theta e proibiu novos aportes.

Por sua vez, o gestor voltou a denunciar Tanure por “insider trading”. Em janeiro passado, após a Justiça acatar denúncia do Ministério Público Federal, Tanure virou réu por suposto uso de informação privilegiada na operação de compra da incorporadora Upcon pela Gafisa. A defesa de Tanure chamou de “açodada” a denúncia do MPF.

Durante o embate com a construtora, Timerman conectou a empresa ao Master, dizendo que parte do dinheiro da Gafisa fora desviado para o banco. Desde 2023, alertou Banco Central e Polícia Federal sobre os problemas. Por isso foi convocado a depor na CPI.

Na justificativa, o relator da comissão, o senador e ex-delegado Alessandro Vieira (MDB-SE), escreveu que o depoimento de Timerman “revela-se peça indispensável para a instrução dos trabalhos”, dado o “conhecimento técnico e histórico profundo” do gestor sobre o esquema do Master.

Afirmou ainda que por anos Timerman denunciou fraudes e manipulação do banco, “quando tais alertas eram tratados como meras excentricidades”. “Contudo”, disse o senador, “a deflagração da Operação Compliance Zero (…) e a liquidação do Master (…) validaram o foco das denúncias de Timerman (…)”.

Vieira ecoou o que poucos no mercado se arriscaram a falar. Num artigo publicado em fevereiro em sua newsletter, o analista e consultor Ricardo Schweitzer classificou o gestor como “anti-herói” e “o homem que disse isso antes de todo mundo”.

“Não me peça para dizer que Timerman é um santo. Ele não é. Não me peça para dizer que seus métodos são irrepreensíveis. Não são. Não me peça para dizer que eu teria feito o que ele fez. Eu não fiz. O que eu posso dizer é que, quando o mercado inteiro preferiu o silêncio, ele preferiu o barulho. E o barulho, desta vez, ressoou”, escreveu Schweitzer.

Em outras palavras, o dono da Esh já era conhecido na Faria Lima muito antes do escândalo do Master, mas, por óbvio, o caso aumentou exponencialmente sua notoriedade.Com informações da Folha de S. Paulo.

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