Quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 15 de outubro de 2026
O Grupo Globo demitiu Frederic Kachar, até então CEO da Editora Globo, após a divulgação de mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os diálogos, registrados entre o fim de 2023 e meados de 2025, mostram a proximidade entre os dois, negociações de patrocínios, convites para eventos privados e reclamações do banqueiro sobre reportagens publicadas pelos jornais O Globo e Valor Econômico.
Em comunicado, a empresa afirmou que as mensagens revelam “uma relação inadequada do executivo com um anunciante” e reafirmou o compromisso com a independência editorial. Segundo a nota, a cobertura do caso Master pelos veículos do grupo demonstra o compromisso com o jornalismo crítico e independente. Luis Henrique Guimarães, vice-presidente executivo da holding, assumirá interinamente a direção-geral de Mídia Impressa e Rádio.
Patrocínios e proximidade
Nas conversas, Kachar e Vorcaro tratavam-se como amigos. Em mensagens de novembro de 2023, o executivo mencionou o envio de um presente de aniversário ao banqueiro. No mês seguinte, apresentou propostas para vincular o Banco Master e outras empresas associadas a projetos da Globo, incluindo ações relacionadas ao Carnaval e ao Baile da Vogue.
Em fevereiro de 2024, após a realização do evento no Rio de Janeiro, Kachar lamentou a ausência de Vorcaro e comentou a presença de celebridades. Na mesma conversa, o banqueiro informou que a proposta de patrocínio para o Carnaval estava aprovada.
A relação também envolvia eventos empresariais. Em maio de 2024, Vorcaro participou do Summit Valor Econômico Brazil-USA, em Nova York, e convidou Kachar para uma festa privada, com restrições ao uso de celulares. As mensagens não permitem afirmar que havia garotas de programa nesse encontro específico.
Os registros também mencionam contatos com outras figuras públicas e empresariais, incluindo o apresentador Luciano Huck. Segundo reportagem da revista Veja, mensagens investigadas pela Polícia Federal indicariam negociações envolvendo patrocínio do Will Bank ao programa de Huck, além de outros negócios entre o apresentador e o banqueiro.
Reclamações
A partir de 2024, Vorcaro passou a cobrar explicações sobre notícias que considerava prejudiciais à imagem do banco. Um dos episódios ocorreu após uma publicação da jornalista Malu Gaspar sobre o patrocínio do Master a um evento em Londres que contou com ministros do Supremo Tribunal Federal.
Irritado, o banqueiro questionou a cobertura e mencionou a possibilidade de cancelar o patrocínio a um evento do Valor Econômico em Nova York. Kachar respondeu que não poderia censurar uma colunista e afirmou haver diferenças entre os eventos citados. Vorcaro negou que estivesse ameaçando retirar o apoio financeiro e disse considerar injusta a abordagem.
Em outras conversas, o banqueiro reclamou de textos de Malu Gaspar e de notas publicadas pelo colunista Lauro Jardim, questionando se existia uma campanha editorial contra ele. Kachar negou qualquer ação institucional contra o empresário.
Apesar disso, as mensagens mostram que o executivo procurava, em algumas ocasiões, tranquilizar Vorcaro sobre reportagens e oferecer explicações a respeito da cobertura jornalística.
Investigação
As mensagens também se conectam a outro episódio investigado pela Polícia Federal. Em abril de 2025, Vorcaro teria acionado o publicitário Thiago Miranda para buscar informações pessoais sobre Malu Gaspar. Segundo os registros citados nas reportagens, o banqueiro escreveu que seria necessário encontrar algo sobre a vida pessoal da jornalista.
Miranda teria prometido investigar a vida da profissional, mas afirmou não ter encontrado informações comprometedoras. Posteriormente, as conversas apontaram para uma tentativa de atraí-la com uma proposta financeira ligada à empresa do publicitário.
Ainda segundo as apurações mencionadas, Vorcaro também teria discutido um plano para simular um assalto e agredir fisicamente Lauro Jardim, após se irritar com publicações sobre seu patrimônio. As informações integram investigações sobre as relações do banqueiro e suas tentativas de reagir a reportagens críticas.
O conjunto das mensagens expõe a tensão entre interesses comerciais e independência editorial, além de levantar questionamentos sobre a relação entre anunciantes e dirigentes de empresas jornalísticas. O Grupo Globo, por sua vez, sustenta que sua cobertura do caso Master permanece independente e alinhada aos princípios editoriais da organização. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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