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Mundo Golpe na Bolívia foi planejado durante “3 semanas”, diz governo

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Militares tomam praça em frente à sede da Presidência em La Paz, na Bolívia. (Foto: Reprodução)

A tentativa fracassada de golpe de Estado na Bolívia foi “meticulosamente planejada” durante cerca de três semanas, de acordo com o ministro de Governo, Eduardo Del Castillo.
“Foi um dos episódios mais inquietantes da história recente do país”, acrescentou, durante coletiva de imprensa em La Paz.

Segundo o ministro, o governo recebeu informações sobre tentativas de “desestabilização”, mas ninguém teria imaginado “a dimensão do ocorrido na quarta-feira”.

Juan José Zúñiga e Juan Arnez Salvador, ex-comandantes do Exército e da Marinha, foram presos como artífices do golpe de Estado contra o presidente Luis Arce e responderão por terrorismo e insurreição armada.

A polícia prendeu cerca de 20 pessoas por envolvimento na tentativa de golpe, que estava sendo planejada desde maio, segundo o ministro do Interior. Duzentos militares participaram da rebelião.

Ao ser preso na quarta (26), o general Zúñiga disse – sem apresentar provas – que tinha agido sob ordens do presidente. Arce teria dito no domingo (23) que precisava preparar alguma coisa para alavancar a popularidade. Então, o general teria perguntado: “Devo colocar os blindados nas ruas?”. E Arce teria respondido: “Sim”.

A oposição ao presidente foi no mesmo tom e defendeu que foi um auto golpe de Estado. O governo negou.
O ex-presidente de centro-esquerda Carlos Mesa afirmou que “se isso fosse classificado de golpe de Estado, estava todo mal feito, por isso fica a dúvida de que tenha sido feito por um só homem, o sr. Zúñiga, ou se o governo teve algo a ver”.

Mesa presidiu o país entre 2003 e 2005, tendo assumido após a renúncia de Gonzalo Sánchez de Lozada, pressionado por protestos sociais que levaram a mais de 70 mortes.

“Se tivesse sido bem planejado, há várias semanas, eu não creio que tivesse sido o fiasco tão lamentável que foi para a imagem do país e das Forças Armadas, prestando-se a um espetáculo com uns poucos soldados e um par de tanques na praça Murillo. Não há nenhum indício de algo planejado com serenidade para alcançar um resultado objetivo”, declarou o ex-mandatário.

A oposição afirma que o golpe foi apenas um teatro organizado pelo governo para aumentar a popularidade de Arce, alvo da insatisfação da população com a crise econômica no país e protagonista de uma disputa com o ex-presidente Evo Morales, seu ex-aliado, pelo controle do partido Movimento ao Socialismo (MAS).

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