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Mundo Governador de Nova York assediou sexualmente 11 mulheres

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Esta é a mais grave entre as denúncias de assédio sexual contra o democrata Andrew Cuomo. (Foto: Reprodução/Twitter)

Uma investigação de cinco meses concluiu que o governador de Nova York, Andrew Cuomo, assediou sexualmente várias mulheres e violou leis federais e estaduais, criando um “ambiente de medo” no local de trabalho. A investigação começou em março, após duas ex-assessoras acusarem o governador democrata, que está no cargo desde 2011, de assediá-las. Várias outras denúncias surgiram nos meses seguintes.

Após a divulgação do relatório contundente da Procuradoria-Geral de Nova York, com 168 páginas, democratas proeminantes, incluindo o presidente Joe Biden, pediram a renúncia de Cuomo, que negou todas as acusações em um discurso transmitido pela TV.

“Os fatos são muito diferentes do que está retratado naquele documento. Quero que vocês saibam diretamente por mim que nunca toquei em ninguém de forma inadequada ou fiz avanços sexuais inadequados”, disse Cuomo. “Tenho 63 anos. Vivi toda a minha vida adulta em público. Não sou assim.”

Os investigadores ouviram 179 pessoas nos últimos cinco meses, incluindo mulheres que denunciaram Cuomo e funcionários e ex-funcionários do governo. Segundo a procuradora-geral do estado de Nova York, Letitia James, foi descoberto um “local de trabalho tóxico”, no qual Cuomo assediou sexualmente um total de 11 mulheres, muitas delas jovens, com “apalpadelas indesejadas, beijos, abraços e comentários inadequados”.

O relatório mostrou ainda como Cuomo e sua equipe retaliaram ao menos uma pessoa por reclamar da conduta do governador.

“A investigação descobriu que o governador Andrew Cuomo assediou sexualmente atuais e ex-funcionárias do estado de Nova York, envolvendo-se em toques indesejados e não consensuais e fazendo vários comentários ofensivos”, afirmou a procuradora-geral. “Essas 11 mulheres viviam em um ambiente de trabalho hostil e tóxico. Devemos acreditar nelas.”

No discurso, Cuomo procurou justificar seu comportamento como uma forma rotineira de demonstrar afeto. Em um vídeo, mostrou fotos abraçando e beijando homens e mulheres de diferentes idades em interações aparentemente consensuais.

“Tento fazer as pessoas se sentirem confortáveis. Tento fazê-las sorrir. Tento me conectar com elas e tento mostrar-lhes meu apreço e minha amizade”, acrescentou. “Agora eu entendo que existem perspectivas geracionais ou culturais que, francamente, eu não tinha valorizado totalmente. E eu aprendi com isso.”

Pedidos de renúncia

Mas, após o anúncio, vários políticos democratas pediram a renúncia do governador. O presidente Joe Biden foi lembrado de declarações feitas em março, quando pressionou Cuomo, dizendo que ele deveria renunciar caso as acusações fossem confirmadas. “Eu mantenho esses comentários”, disse o presidente.

Quando questionado se ele estava dizendo especificamente que Cuomo deveria renunciar, Biden respondeu:Sim. Acho que ele deveria renunciar. Entendo que o Legislativo estadual pode decidir pelo impeachment”, disse. “Eu não vou ficar entrando em detalhes. Tenho certeza de que alguns abraços eram totalmente inocentes. Mas, aparentemente, a procuradora-geral decidiu que aconteceram coisas que não eram.”

Em comunicado, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, elogiou as mulheres que denunciaram Cuomo. “Reconhecendo seu amor por Nova York e o respeito pelo cargo que ocupa, peço ao governador que renuncie.”

O mesmo pedido já havia sido feito pelo líder da maioria no Senado, Chuck Schumer, e pela senadora Kirsten Gillibrand, também democratas, que assinaram uma nota conjunta: “O relatório de hoje da procuradora-geral do estado de Nova York substanciou e corroborou as alegações das mulheres corajosas que se apresentaram para compartilhar suas histórias – e nós parabenizamos as mulheres por fazê-lo. Continuamos acreditando que o governador deva renunciar.”

Carl Heastie, porta-voz da Assembleia de Nova York, controlada pelos democratas, por sua vez, autorizou uma investigação de impeachment sobre a conduta de Cuomo, e chamou as descobertas do relatório de “perturbadoras”, dizendo que elas definiam “alguém que não está apto para o cargo”.

Elevado à posição de liderança nacional durante a pandemia do novo coronavírus, que chegou a lhe render um Emmy, principal prêmio da TV americana, por seus briefings diários, Andrew Cuomo, hoje em seu terceiro mandato, se vê diante de uma série de crises que dificilmente serão superadas sem deixar marcas em sua carreira política.

Divorciado e pai de três filhas adultas, ele é filho de Mario Cuomo, já morto, que também governou o estado de Nova York por três mandatos. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.

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