Domingo, 15 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de janeiro de 2026
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), anunciou na quinta-feira (22) o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como pré-candidato a vice-governador em sua chapa à reeleição neste ano. O anúncio contraria sinalizações dadas por Jorginho no ano passado sobre a disponibilização da vaga para o MDB. A escolha volta a movimentar o tabuleiro eleitoral catarinense, depois dos atritos provocados pela indicação do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) ao Senado pelo Estado.
“O Adriano Silva, meu amigo e prefeito da querida cidade de Joinville, aceitou o convite para ser o meu vice na próxima eleição. Somos pré-candidatos a governador e vice-governador”, disse Jorginho no vídeo de anúncio, publicado em suas redes sociais ao lado do aliado. “Santa Catarina, mais uma vez, sai na frente, unindo as forças de direita. Todo mundo trabalhando junto, olhando para frente com muito entusiasmo e fé.”
A escolha pegou de surpresa representantes do MDB no Estado, depois de o governador prometer a vaga para o partido e afirmar, em entrevista à rádio Jovem Pan em outubro, que estava “tudo encaminhado”. A sigla tem quatro pastas no governo e via como o nome mais cotado para a posição o secretário estadual de Agricultura, Carlos Chiodini, presidente do diretório estadual do partido. Ele havia sido nomeado para o cargo em um movimento de aproximação do governo de Jorginho com o MDB em fevereiro do ano passado, que acabou incomodando correligionários. À época, a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) foi uma das que questionou se o “critério” usado para a escolha teria sido “votar mais com o governo Lula”.
Interlocutores relatam que, ao longo do ano, enquanto a aproximação da gestão com o MDB seguia enfrentando resistência dentro do PL, o desempenho eleitoral de Adriano Silva atraiu atenção. Em 2024, ele foi reeleito no primeiro turno com 78% dos votos em Joinville, a maior cidade do estado. Com isso, passou a receber convites de partidos para uma composição no próximo pleito, entre eles o de Jorginho, oficialmente aceito na noite de quinta-feira. O anúncio repercutiu positivamente dentro da ala mais bolsonarista do partido do governador.
“Achei uma baita coligação para ganhar no primeiro turno, porque une a direita e estrategicamente impede de se criar um novo movimento de direita em Santa Catarina”, disse Zanatta, em um vídeo publicado na noite de quinta-feira. “Fui contra aliança com partidos que aqui em Brasília apoiam o governo Lula e lá em Santa Catarina querem estar no governo. Ou está com o Lula, ou está com a gente.”
A celebração não se repetiu dentro do MDB. Além da Agricultura, o partido tem o comando de outras três pastas (Meio Ambiente, Infraestrutura e Esporte). Depois de ser escanteado para a composição da chapa do governador, o partido deverá se reunir em um hotel em Florianópolis na próxima segunda-feira para discutir a permanência no governo.
Críticas
A escolha também retoma as discussões sobre a composição de Jorginho para as eleições deste ano, que geraram atritos no ano passado. A indicação de Carlos Bolsonaro para o Senado deslocou para fora da chapa a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC), já que a segunda vaga deverá ser ocupada pelo senador Espiridião Amin (PP-SC), que disputará a reeleição. Desde então, a parlamentar tem articulado sua transferência para o Novo, onde terá espaço para concorrer ao Senado.
A movimentação de Carlos, no entanto, foi criticada por representantes da direita no estado. Entre os que criticaram, Adriano Silva chegou a dizer, em entrevista ao programa Cabeça de Político, exibido no YouTube, que a candidatura do filho do ex-presidente por Santa Catarina seria uma “agressão”.
“A vinda do Carlos Bolsonaro, sem dúvida nenhuma, eu entendo até como uma agressão ao estado. Eu, sinceramente, eu não o conheço pessoalmente, mas essa crítica eu faria a qualquer outro que quisesse se mudar do seu pleito eleitoral para um estado meramente por uma questão de oportunidade de voto”, disse. “Quando eu vejo uma Carol de Toni fazendo um excelente trabalho, eu vejo o Gilson Marques fazendo um excelente trabalho, o próprio senador Esperidião Amin faz um excelente trabalho, então essas lideranças, sem dúvida nenhuma, são merecedoras das cadeiras lá e não lideranças de fora.”
A indicação de Carlos foi criticada também pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), pré-candidato ao governo do estado que se define como representante da “direita real”. Em entrevista ao jornal O Globo, ele afirmou que “o catarinense não tem aceitado muito bem o Carlos como candidato”. Já nesta semana, o prefeito de Camboriú, Leonel Pavan (PSD), classificou a indicação do vereador como “uma loucura” por tratar o Estado como “um balcão de negócios”. As informações são do jornal O Globo.
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