Sábado, 10 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 11 de janeiro de 2024
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), comentou nessa quarta-feira (11) a desistência de seu filho, Filipe Mello, em assumir a Casa Civil. Em coletiva de imprensa, o bolsonarista afirmou que seu parente não precisa de “boquinha” e usou o espaço para alfinetar o desembargador João Marcos Buch, do Tribunal de Justiça (TJSC). Em sua fala, o governador disse chamou a oposição de “boca torta”, em alusão a uma cicatriz no rosto do magistrado que, na semana passada, concedeu uma liminar que impedia a nomeação de Filipe por nepotismo.
“Primeiro, o Filipe não precisa de emprego. Ele sempre me ajudou e vai continuar ajudando (…) Para que criar polêmica? O governo está voando. Para que dar margem para alguma oposição boca torta, que talvez encoste um filho para ganhar uma boquinha. A gente não precisa disso, graças a Deus”, disse Jorginho Mello.
A cicatriz no rosto de Buch data de um acidente com uma arma de fogo que ocorreu quando o desembargador tinha apenas dez anos. Na ocasião, durante uma brincadeira, levou um tiro de raspão de seu irmão, que achava que a arma estava descarregada.
A referência sutil logo foi percebida por professores e políticos da região, que comentaram a fala do governador nas redes sociais. “Além de defensor de nepotismo, Jorginho desrespeita não apenas um desembargador, mas todo judiciário catarinense”, disse Leonel Camasão, do PSOL.
A nomeação de Filipe havia sido questionada pelo partido de esquerda no TJSC e acatada por decisão do desembargador. Na segunda-feira, contudo, a liminar terminou derrubada. No dia seguinte, Filipe afirmou que havia desistido de ocupar o cargo.
O advogado confirmou sua decisão em suas redes sociais, que são privadas para o grande público. No texto, o filho do governador afirmou que ele e seu pai decidiram que seria melhor que ele continuasse a auxiliar o governo do lado de fora. “Quem nos conhece sabe da relação que temos e sabe que não preciso de emprego. Minha vida está solidificada na advocacia, profissão pela qual sou apaixonado e exerço na sua plenitude. Transparência e confiança sempre nos pautaram”, escreveu.
Ele também agradeceu pelas pessoas que reconheceram sua capacidade técnica e ironizou as críticas afirmando que seu defeito seria “biológico”: “Ser filho”.
Desde 2008, a súmula vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal (STF) caracteriza como nepotismo a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente até terceiro grau ou por afinidade. Mas a legislação não tem efeito sobre os chamados cargos políticos, ou seja, é permitido a nomeação no primeiro escalão de governo.
Sem nunca ter concorrido a um cargo eletivo, Filipe Mello já passou por alguns cargos no estado antes de sua nomeação. Entre 2011 e 2012, na gestão do ex-governador Raimundo Colombo (PSD), foi secretário de Planejamento, e, em 2013, foi nomeado na Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte. As informações são do jornal O Globo.
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