Quarta-feira, 11 de março de 2026
Por Redação O Sul | 13 de julho de 2017
O governo não consegue se entender sobre a data de votação no plenário da Câmara da denúncia contra o presidente Michel Temer. Diante das declarações do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) e do vice-líder do governo Darcísio Perondi (PMDB-RS) de que era “possível” que a votação ficasse para agosto em vez de ser realizada nesta sexta-feira (14), a base entrou em pânico e começou a bater cabeça.
Deputados começaram a telefonar no final da manhã desta quinta (13) para os líderes de seus partidos para saber se estavam liberados para viajar, já que o recesso parlamentar começa na terça-feira (18). O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse não se opor a deixar a votação para agosto se esta for a vontade de governo e oposição.
“Fui informado [pela imprensa] que esta é a posição do Palácio e eu disse que, se oposição e governo, de fato, não querem votar, não tenho o que fazer. Mas não fui informado desta posição pela base. Vou esperar a posição da maioria, mas, confirmado, não tem muito o que fazer”, afirmou Rodrigo Maia.
Após reunião com os líderes do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e com o líder do PMDB na Casa, Baleia Rossi (SP), o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) divulgou nota desmentindo Perondi. “Em relação aos boatos de que o governo teria decidido adiar para agosto a votação no plenário da autorização para prosseguimento da denúncia da PGR [Procuradoria-Geral da República] contra o presidente, informo que são improcedentes”, disse Marun no comunicado.
Perondi, então, recuou e jogou para a oposição a responsabilidade de garantir quorum nesta sexta. “Eu falei em possibilidade e ele [Marun] falou que não há hipótese. Vamos aguardar até o fim da tarde. Talvez as forças divinas iluminem o PT e eles vão dar presença”, disse Perondi.
“Existe uma possibilidade [de votar antes do recesso]. Os regimentalistas da Câmara estão divididos. Uns dizem que precisa de 342 presenças, outros, que precisa 257. Com a fuga irresponsável da oposição, com 257 é mais factível [garantir o quorum para votação]”, disse Perondi, admitindo que o fato de ser sexta-feira e o recesso começar na terça dificultam a permanência da base em Brasília.
O líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE), também tentou jogar a responsabilidade de dar quorum para a oposição. “Estamos vencendo cada etapa. A de hoje é vencer CCJ e vamos vencer. A oposição é que tem que trabalhar. São eles que querem aprovar a denúncia, portanto, quem tem que botar quorum são eles”, afirmou Moura.
Já o deputado Beto Mansur (PRB-SP), um outro vice-líder do governo, admitiu que, sozinho, o governo não tem condições de colocar 342 deputados da base para dar início à votação. “Os dois juntos, oposição e governo, têm condições de colocar 342 deputados para deliberar. Sozinho ninguém tem condições”, afirmou Mansur.
Oposição
A oposição disse que cabe ao governo garantir número para votação. “Não vamos dar quorum”, disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).
“O governo não tem número para abrir uma sessão, esvaziada em fim de período legislativo, para tentar enterrar uma denúncia que o Brasil quer ver aprovada. A oposição está aqui, está presente, mas não vai fazer o jogo do governo”, afirmou Alessandro Molon (Rede-RJ). Alencar e Molon disseram não ter havido orientação para que a base esvazie a sessão. (Folhapress)
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