O governo federal anunciou que retomará o programa de apoio aos setores empresariais atingidos pelo novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
Na quinta-feira (16), o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) oficializou uma tarifa adicional de 25% para produtos brasileiros alegando supostas práticas “desleais” no comércio por parte do Brasil.
As novas tarifas passam a valer a partir de quarta-feira (22). O Brasil rejeita as justificativas apontadas pelo governo de Donald Trump para a taxação.
“O governo, a partir de agora, tem como prioridade atender e apoiar esses setores por essa injusta, indevida e ilegal tarifação que nos foi imposta”, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, em entrevista coletiva em Brasília, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e de outros ministros, incluindo Dario Durigan, da Fazenda.
Segundo Rosa, os exportadores mais atingidos, desta vez, são os setores de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis e mobiliários, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Eles deverão contar com linha de crédito para capital de giro, investimentos e com apoio para escoamento de produtos a outros clientes e países.
Estimativas da Secretaria de Comércio Exterior apontam um total de 2,4 mil empresas nacionais diretamente atingidas pelo tarifaço, que respondem, juntas, por cerca de 18% das exportações brasileiras com destino aos EUA, o que corresponde a transações estimadas de US$ 7,4 bilhões, na comparação com números de 2024.
O ministro da Fazenda classificou a decisão dos EUA com uma interferência externa indevida. “É inadmissível, do ponto de vista do governo, ter essa interferência externa, seja ela política, econômica, seja ela uma forma qualquer para afugentar e constranger o Brasil, as famílias brasileiras, os empresários e os trabalhadores brasileiros”, disse Durigan.
Segundo o ministro, todas as alegações dos EUA são falsas e não se sustentam em dados concretos. De acordo com Durigan, o tarifaço não afetará a estabilidade macroeconômica do Brasil, e as medidas de socorro que serão tomadas pelo governo deverão ser linhas de crédito em montantes inferiores aos do ano passado, já que a lista de exceções ao tarifaço está maior desta vez.
