Sábado, 31 de janeiro de 2026
Por Gisele Flores | 30 de janeiro de 2026
O titular da SDR, Vilson Covatti, destacou a importância de investir na agricultura familiar para o desenvolvimento econômico
Foto: Penélope Miranda/Ascom SDRO Estado realizou, nesta semana, uma nova rodada de assinaturas de convênios e contratos voltados ao fortalecimento da agricultura familiar. As agendas ocorreram em municípios do norte gaúcho, reunindo representantes de associações, cooperativas e lideranças locais. Mais do que atos administrativos, os compromissos firmados simbolizam a continuidade de uma política pública que busca integrar desenvolvimento econômico, inclusão social e valorização das comunidades rurais.
Agricultura familiar como eixo estratégico
A agricultura familiar ocupa posição central na economia regional. É responsável por grande parte da produção de alimentos que abastece o mercado interno e sustenta cadeias produtivas como leite, hortifrutigranjeiros e grãos. Ao receber investimentos, associações e cooperativas ampliam sua capacidade de gerar renda, fixar famílias no campo e reduzir desigualdades. O fortalecimento desses empreendimentos coletivos representa não apenas apoio financeiro, mas também reconhecimento da importância cultural e social do trabalho rural.
Convênios e investimentos
Entre os compromissos firmados, destacam-se os convênios vinculados ao edital de Fomento Produtivo, que autorizam entidades habilitadas a elaborar projetos voltados ao financiamento de investimentos. O aporte supera R$ 3,11 milhões, contemplando 11 associações e cooperativas de nove municípios. Os recursos serão aplicados em equipamentos, infraestrutura e iniciativas de modernização, ampliando a competitividade e a sustentabilidade das pequenas propriedades.
Outro eixo foi o edital voltado à Agricultura Familiar Camponesa, que destinou mais de R$ 3,7 milhões a cooperativas da região. O objetivo é fortalecer empreendimentos coletivos, garantindo maior autonomia e capacidade de organização para os produtores. Ao estimular a cooperação, o programa reforça a lógica de que o desenvolvimento rural depende da união de esforços e da construção de redes solidárias.
Crédito e subvenção
A rodada incluiu ainda instrumentos do Programa Bônus Mais Leite, que concede subvenção financeira de 25% sobre operações de crédito de custeio e investimento contratadas no Plano Safra 2025/2026. Foram contemplados dezenas de agricultores familiares, assegurando condições mais favoráveis para ampliar a produção leiteira, setor que sustenta milhares de famílias e movimenta a economia regional. A política pública de crédito subsidiado é vista como ferramenta essencial para reduzir riscos, estimular investimentos e garantir estabilidade ao produtor.
Dimensão econômica e social
Os convênios representam injeção direta de recursos em cadeias produtivas locais. Ao financiar equipamentos e infraestrutura, o Estado estimula a modernização das propriedades e aumenta a produtividade. O impacto se estende para além do campo: gera empregos indiretos, movimenta o comércio regional e fortalece a arrecadação municipal.
No plano social, os investimentos reafirmam a importância da permanência das famílias no campo. Ao garantir renda e condições de trabalho, os programas reduzem o êxodo rural e preservam comunidades tradicionais. A agricultura familiar é também espaço de transmissão de saberes, manutenção de práticas culturais e fortalecimento da identidade regional. Cada convênio assinado representa oportunidade de inclusão produtiva e de valorização de quem, muitas vezes, enfrenta dificuldades para competir em um mercado dominado por grandes produtores.
Política e simbolismo
As assinaturas reforçam a estratégia de descentralização das políticas públicas. Ao realizar agendas em municípios do interior, o governo sinaliza proximidade com as comunidades e reconhecimento da diversidade regional. A agricultura familiar, historicamente marcada por reivindicações de apoio e crédito, ganha protagonismo como prioridade estratégica.
Há também um aspecto simbólico. Cada assinatura é um ato de confiança entre poder público e sociedade civil organizada. Representa a aposta na cooperação, na solidariedade e na capacidade de transformar recursos em oportunidades. Ao reunir associações e cooperativas, os eventos reforçam a ideia de que o desenvolvimento rural é coletivo e que o futuro do campo depende da união de esforços.
Com investimentos que somam mais de R$ 6,8 milhões nesta rodada, o Estado reafirma a agricultura familiar como prioridade estratégica. Os convênios firmados em Erechim e Ronda Alta não se limitam a números: traduzem políticas de inclusão, fortalecem comunidades e projetam um futuro em que o campo é valorizado como espaço de produção, cultura e vida. Ao integrar dimensões econômica, social, política e simbólica, as ações demonstram que o desenvolvimento rural é, acima de tudo, um projeto coletivo. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)