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Política Governo brasileiro diz que “lamenta” teor de reação da Casa Branca a Bolsonaro na Rússia

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Bancada do PSOL enviou 15 perguntas sobre a visita de Bolsonaro a Vladimir Putin. (Foto: Alan Santos/PR)

O Ministério das Relações Exteriores, por meio de uma nota publicada neste sábado (19), disse lamentar o “teor da declaração da porta-voz da Casa Branca” à viagem do presidente Jair Bolsonaro (PL) à Rússia.

Bolsonaro se encontrou com o presidente Vladimir Putin na quarta-feira e, na ocasião, disse que o Brasil era “solidário” ao país. Posteriormente, durante coletiva de imprensa, o presidente brasileiro não repetiu a frase e disse que o Brasil prega a paz e respeita “quem age desta maneira”.

Em posicionamento, a Casa Branca afirmou que a declaração de Bolsonaro ocorreu em momento que “não poderia ter sido pior”, tendo em vista a tensão atual na fronteira da Rússia com a Ucrânia, nação apoiada pelos Estados Unidos e países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no atual embate geopolítico.

O Itamaraty, no entanto, defendeu as posições do Brasil em relação às tensões como “claras, públicas” e “transmitidas em repetidas ocasiões às autoridades dos países amigos e manifestadas no âmbito do Conselho de Segurança das Nações Unidas”.

“O Ministério das Relações Exteriores não considera construtivas, nem úteis, portanto, extrapolações semelhantes a respeito da fala do Presidente”, conclui a pasta.

Na ocasião, em conversa com jornalistas após ter se encontrado com Putin, Bolsonaro afirmou que a viagem da comitiva brasileira à Rússia foi uma “missão comercial e de paz”. Do ponto de vista comercial, o presidente considerou que “o Brasil é dependente em grande parte de fertilizantes de outros países, e em especial aqui da Rússia”.

Tensão

Atualmente, o presidente Joe Biden, dos EUA, sustenta que a Rússia está prestes a invadir a Ucrânia – tese negada pela Rússia. Os EUA disseram que a movimentação das tropas nas fronteiras dá a entender que a Rússia “tomou uma decisão” acerca da possível invasão.

Putin participou de exercícios militares nucleares planejados neste sábado (19), onde mísseis balísticos e de cruzeiro foram lançados, informou a agência estatal RIA.

Neste domingo (20), Vladimir Putin deve ter outra conversa com o presidente francês Emmanuel Macron, que se colocou como um intermediário diplomático recorrente no assunto.

Na Ucrânia, separatistas pró-Rússia do leste do país iniciaram a evacuação de civis das cidades de Luhansk e Donetsk, autodeclaradas repúblicas independentes, após episódios de violações do cessar-fogo na região.

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