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Brasil Governo deve agir rápido para evitar novo rebaixamento, dizem economistas

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Para o mercado, é essencial que os ministros Levy (foto) e Barbosa mostrem sintonia. (Foto: Ricardo Botelho/AE)

A perda do selo de bom pagador, decretada pela agência de risco S&P (Standard & Poor’s), atiçou um senso de urgência na área econômica. Não importa a corrente de pensamento, não há mais dúvida entre os economistas que acompanham as contas públicas de que a situação das finanças do Estado brasileiro chegou a um ponto crítico. Mais do que tomar medidas para reverter o rebaixamento já feito pela S&P, a prioridade é evitar que a Moody’s e a Fitch, as duas outras agências que são referência global, sigam o exemplo.
Existe um certo consenso de que agora é necessário agir o mais rápido possível para dirimir distorções que oneram as contas públicas. Atuar no curto prazo é a prioridade. “Foi inadmissível mandar para o Congresso o Orçamento do ano que vem com um rombo e agora o governo deve deixar claro que está comprometido com o cumprimento da meta de superávit primário do próximo ano, fixada em 0,7%. Vai doer, mas não tem jeito”, disse o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas. Para o mercado, é essencial que os ministros Joaquim Levy, da Fazenda, e Nelson Barbosa, do Planejamento, mostrem sintonia.
Em uma outra frente, entende-se que é preciso iniciar um ajuste fiscal estrutural, de longo prazo. “O governo precisa reorganizar a base política e votar uma série de reformas que influenciariam o cenário das contas públicas no longo prazo”, afirmou o economista Mansueto Almeida, especialista em contas públicas. Na avaliação dele, a lista incluiria promover uma nova rodada da reforma da Previdência, para rever a idade de aposentadoria, discutir e redefinir o piso de programas de assistência.
Economistas alinhados com o governo estão entre os mais serenos com a perda do grau de investimento. “A definição de uma agência de risco não é o fim do mundo”, disse Márcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, que ajuda a produzir programas do governo. Mas até Pochmann concorda que o quadro exige atenção, ainda que seja por outras razões. Ele faz parte do grupo que defende um ajuste fiscal mais brando e longo, e que prioriza medidas de incentivo ao crescimento. (AE)

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