Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 29 de março de 2016
As campanhas de combate ao mosquito Aedes aegypti contra a propagação do vírus da zika devem incluir educação sexual e prevenção à gravidez indesejada. Essa é a avaliação da professora argentina Andrea Gamarnik, 51 anos, chefe do laboratório de Virologia Molecular da Fundação Instituto Leloir, em Buenos Aires, e pesquisadora do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas, órgão ligado ao Ministério de Ciência da Argentina.
“Recomendar às mulheres que não fiquem grávidas é uma mensagem vazia”, afirma Andrea. “Se a maioria das vítimas do vírus da zika vive em lugares onde há pobreza e poucos recursos, creio que seja importante investir esforços em educação sexual e em programas para evitar a gravidez indesejada”, disse.
A cientista dedica-se a escrutinar a dengue, concentrando-se na maneira como o vírus infecta as células e se multiplica. Graças aos resultados de sua pesquisa, empresas como a Roché e a Novartis desenvolvem vacinas e antivirais, em fase de testes.
A importância do trabalho de Andrea foi reconhecida pelo programa L’Oréal – Unesco Para as Mulheres na Ciência, que premia cientistas do mundo todo. Neste ano, foram celebradas cinco responsáveis por análises no campo genético e no controle de propagação dos vírus HIV, gripe aviária e dengue.
Fazendo um paralelo entre a dengue e a zika, a cientista destacou que são dois vírus com características muito parecidas no que diz respeito à biologia e à forma de transmissão. “Mas pode ser que o zika seja transmitido por outras vias que não somente o mosquito, e isso é muito diferente da dengue. Se for confirmado que o zika é transmitido sexualmente, e se for ele também a causa de malformação nos fetos, isso coloca as mulheres numa situação de alta vulnerabilidade”, explicou.
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