Segunda-feira, 24 de agosto de 2026

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Política Governo dos Estados Unidos discute novas sanções contra ministro Alexandre de Moraes, diz jornal

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O caso ocorre em um momento de relação particularmente tensa entre Brasil e Estados Unidos.

Foto: Luiz Silveira/STF
O caso ocorre em um momento de relação particularmente tensa entre Brasil e Estados Unidos. (Foto: Luiz Silveira/STF)

O governo dos Estados Unidos está avaliando a possibilidade de impor novamente sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo reportagem do jornal britânico Financial Times. A eventual medida ocorre em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre Washington e Brasília e pode representar uma nova etapa na pressão do governo norte-americano sobre o magistrado.

De acordo com o jornal, autoridades dos Estados Unidos discutem a possibilidade de adotar novas medidas contra Moraes após decisões recentes do ministro envolvendo investigações relacionadas ao vazamento de informações. Entre os episódios considerados está a autorização de buscas contra um jornalista e fontes ligadas à divulgação de informações sobre o ministro Flávio Dino.

O tema envolve também uma discussão sobre liberdade de imprensa. Segundo o Financial Times, a atuação de Moraes voltou a chamar a atenção do governo do presidente Donald Trump depois das medidas determinadas pelo ministro. A possibilidade de novas sanções ocorre pouco tempo depois de medidas anteriores contra o magistrado terem sido retiradas.

Moraes havia sido alvo de sanções dos Estados Unidos em 2025 com base na Lei Magnitsky, instrumento utilizado pelo governo norte-americano contra pessoas acusadas de envolvimento em graves violações de direitos humanos. As medidas foram posteriormente suspensas em dezembro, após esforços diplomáticos entre os governos brasileiro e norte-americano.

Uma eventual nova aplicação de sanções poderia incluir restrições financeiras e outras medidas previstas na legislação dos Estados Unidos. A possibilidade, porém, ainda estava em discussão e não havia uma decisão definitiva anunciada pelo governo Trump.

O caso ocorre em um momento de relação particularmente tensa entre Brasil e Estados Unidos. Nos últimos meses, os dois países enfrentaram divergências comerciais e políticas, incluindo a adoção de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e disputas envolvendo decisões judiciais e questões relacionadas ao cenário eleitoral brasileiro.

A relação bilateral também foi afetada por medidas diplomáticas adotadas pelos dois governos. A administração Trump vem pressionando o governo brasileiro em diferentes frentes, enquanto o governo Lula critica ações consideradas interferência em assuntos internos do Brasil.

A possibilidade de novas sanções contra Moraes também tem repercussão política dentro do Brasil. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro defendem medidas de pressão contra o ministro, enquanto integrantes do governo Lula afirmam que decisões judiciais brasileiras não devem ser submetidas à influência de autoridades estrangeiras.

Moraes é responsável por processos de grande repercussão política no STF e no TSE. Entre os casos sob sua atuação estão investigações relacionadas à tentativa de golpe após as eleições de 2022 e ações envolvendo ataques às instituições democráticas e disseminação de informações consideradas falsas.

A atuação do ministro tornou-se um dos principais pontos de conflito entre o bolsonarismo e o Judiciário brasileiro. O governo Trump e aliados de Bolsonaro já haviam criticado decisões de Moraes, especialmente aquelas relacionadas aos processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados.

As primeiras sanções impostas pelos Estados Unidos contra Moraes, em 2025, foram retiradas posteriormente. Segundo informações divulgadas à época, a retirada ocorreu após movimentações diplomáticas entre Washington e Brasília.

Agora, a possibilidade de reimposição das medidas volta a colocar o ministro no centro das relações entre os dois países. A discussão acontece paralelamente à campanha eleitoral brasileira, iniciada oficialmente no domingo (16), quando Lula e Flávio Bolsonaro realizaram atos para marcar o começo da disputa presidencial.

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