Sexta-feira, 27 de março de 2026
Por Redação O Sul | 27 de março de 2026
A dívida pública deve continuar cobrando uma conta trilionária em juros, apesar do início, na última semana, do ciclo de cortes da Selic (que caiu de 15% para 14,75% ao ano). Enquanto o alívio na parcela que acompanha as variações da Selic deve vir aos poucos, dada a tendência de redução lenta dos juros de referência, o restante da dívida, mais sensível ao risco fiscal do que às decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), continuará sendo refinanciado a um custo elevado.
As projeções de mercado coletadas pelo Banco Central (BC) indicam que, após atingir 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, a despesa com juros da dívida pública deve subir para 8% em 2026. A partir daí, a tendência é de retração gradual, mas sem retorno à média histórica de 6% ao longo de todo o horizonte de projeções, que vai até 2035.
Considerando as previsões para o PIB, isso significa que, por mais dois anos (2026 e 2027), o setor público seguirá com uma fatura de R$ 1 trilhão em juros a pagar. O ano passado foi o primeiro em que a marca foi superada, ainda que os ganhos excepcionais do BC com swaps cambiais – troca de indexadores feita para gerenciar taxas de reajuste e controlar o câmbio – tenham impedido as despesas financeiras de serem ainda maiores. Como essa contribuição não deve se repetir, a cifra deve ter acréscimo de R$ 30 bilhões em 2026.
Embora inclua governos estaduais, prefeituras e empresas estatais, excluindo a Petrobras, o grosso dessa conta – 88% do total – é do governo central, formado por Tesouro Nacional, Previdência Social e BC.
Cortes graduais
O custo da dívida pública é hoje mais sensível às decisões de política monetária, dado que mais da metade da dívida (54%) está indexada à Selic. Porém, os conflitos no Oriente Médio, que elevaram os preços do petróleo, fizeram o BC iniciar cortes de juros de forma mais gradual do que o mercado esperava até poucos dias antes da decisão do Copom.
O restante da dívida, avaliam economistas, continuará sendo trocado a juros superiores às taxas dos títulos em vencimento. Ainda que favoreça as emissões a taxas prefixadas, o ciclo de afrouxamento foi aberto pelo BC com os juros no maior nível em quase duas décadas. Somado ao prêmio cobrado pelo investidor para financiar a dívida brasileira, o resultado é uma taxa ainda alta.
Economista do Santander e especialista em contas públicas, Ítalo Franca diz que o estoque da dívida pública, que tem custo médio de 12% em 12 meses, está sendo trocado por captações que pagam 13,7%. “Mesmo considerando nossa projeção de Selic em 11,5% no próximo ano, a redução do custo médio da dívida deve ocorrer gradualmente.” (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)
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