Domingo, 30 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 29 de agosto de 2026
O governo prevê aumento de 7,7% nas despesas obrigatórias com benefícios previdenciários em 2027, de acordo com estimativa que constará no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) que será encaminhado pela equipe econômica ao Congresso Nacional no dia 31 deste mês. Para este ano, a despesa total passará de R$ 1,135 trilhão, de acordo com o último Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, para R$ 1,223 trilhão em 2027.
O número inclui os gastos com pagamento de benefícios previdenciários, Comprev (compensação previdenciária entre o Instituto Nacional do Seguro Social e regimes próprios de Previdência) e benefícios concedidos via sentença judicial. Quando considerado somente os benefícios previdenciários (sem Comprev e sentenças), a alta é de 8,6%. Os dados são pela ótica orçamentária e foram fechados pelo Ministério da Previdência Social e pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no começo deste mês e aprovados pelo Conselho Nacional de Previdência Social. Os números foram encaminhados ao Ministério do Planejamento e Orçamento para constar no PLOA de 2027.
Os principais motivos para a alta continuam sendo o reajuste acima da inflação do salário mínimo, que é parâmetro para calcular o reajuste dos benefícios previdenciários equivalentes ao piso (que representam mais da metade da despesa previdenciária paga), e a previsão de aumento do número de segurados, com parte da população passando, a cada ano, a reunir condições para se aposentar ou ter acesso aos demais benefícios previdenciários.
A previsão mostra uma tendência contínua de crescimento do gasto com o Regime Geral da Previdência Social (RGPS), que atende os trabalhadores da iniciativa privada, via INSS. A alta é motivo de preocupação de especialistas, que alertam que o ritmo de crescimento da despesa previdenciária vai aumentar ainda mais nos próximos anos e décadas, quando haverá cada vez mais segurados do INSS e cada vez menos pessoas contribuindo à Previdência.
“A despesa está crescendo de 3 a 4 pontos percentuais acima da alta do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Houve crescimento de 10,2% entre 2025 e 2026 e agora haverá alta de 7,7% de 2026 para 2027. São dois anos de alta muito superior à nossa taxa de crescimento, mesmo considerando que são dados nominais”, avalia Luís Eduardo Afonso, professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Previdência Social.
“O debate no país tem se concentrado muito na evolução do déficit público e da dívida pública, e esse problema tem uma causa principal, que é a Previdência. Se a gente não discutir Previdência novamente, eventualmente tomando medidas duras, a questão fiscal nunca vai ser equacionada”, completa Afonso.
Leonardo Rolim, ex-secretário de Previdência e ex-presidente do INSS, alerta que a despesa com Previdência deve crescer acima dos limites do arcabouço fiscal nos próximos anos, se nada for feito para controlar a trajetória desse gasto. “É um dado inquestionável que o país está envelhecendo rapidamente, com um número maior de aposentados, e na próxima década vamos ter uma redução da população em idade ativa, que contribui à Previdência”, alerta o especialista.
Ele cita dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram que o número de idosos ao longo dos últimos 25 anos mais do que dobrou, enquanto o número de potenciais contribuintes à Previdência cresceu somente 30%. “Em 2070, vamos ter seis vezes o número de idosos que tínhamos em 2000 e mais ou menos a mesma quantidade de pessoas em idade ativa, segundo dados do IBGE”, explica Rolim.
Sem incluir Comprev e sentenças judiciais, a alta projetada para a despesa com o pagamento de benefícios previdenciários em 2027, na comparação com 2026, será de 8,6%, passando de R$ 1,074 trilhão previsto para este ano para R$ 1,166 trilhão em 2027. Os números são nominais.
No caso do Comprev, o governo prevê uma quase estabilidade: a despesa projetada passará de R$ 7,89 bilhões para R$ 7,88 bilhões, uma queda marginal de 0,2%. Em 2025, foi aprovada uma lei que tornou o Comprev uma despesa com controle de fluxo, o que significa que o governo só poderá gastar o que está previsto na Lei Orçamentária Anual.
Já para benefícios previdenciários concedidos via sentenças judiciais, a estimativa do governo é de queda de 8,1%, passando de um gasto estimado de R$ 53,7 bilhões neste ano para R$ 49,4 bilhões em 2027. Nesse caso, trata-se de um item da despesa previdenciária sobre a qual o governo tem menos controle, porque depende de decisões judiciais. A queda é reflexo do menor estoque de precatórios para ser pago no próximo ano. (As informações são do Valor Econômico)
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