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Brasil Governo tenta frear operação do presidente da Câmara dos Deputados pelo impeachment

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Cunha age por vingança, acusam petistas (Foto: Andre Coelho / AG)

O Palácio do Planalto quer fazer das recentes denúncias contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um meio de enfraquecer sua legitimidade em dar prosseguimento aos pedidos de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. A estratégia é “carimbar” de vez no principal adversário do governo a imagem de um político vingativo, movido por motivos pessoais.

Nesta terça-feira, o peemedebista já poderá anunciar a sua decisão sobre o pedido de afastamento de Dilma feito pelos juristas Miguel Reale Júnior e Hélio Bicudo. A tendência é de Cunha colocar em prática a manobra de arquivar a requisição para que outros oposicionistas ingressem com recurso em plenário, medida que dependerá da aprovação mínima de 257 dos 513 deputados.

O passo seguinte seria criar uma comissão especial para análise do tema. O processo de impeachment só prosseguiria se aberto com os votos de pelo menos 342 membros da Casa. Se o recurso da oposição for aprovado no plenário, será difícil reverter a situação, admite o Planalto. Esse cenário reforça o papel decisivo do PMDB para as pretensões de ambos os lados.

Reação

Deputados do PT e PCdoB recorreram ao STF (Supremo Tribunal Federal) para barrar o procedimento estabelecido por Cunha em caso de rejeição ao pedido de impeachment. Dilma, por sua vez, escalou ministros peemedebistas como Kátia Abreu (Agricultura), Eliseu Padilha (Aviação) e Henrique Alves (Turismo) para evitar que deputados da sigla reforcem o movimento pró-impeachment. O grupo já se comprometeu em promover reuniões semanais com os parlamentares.

Na próxima reunião da coordenação política do Planalto, marcada para terça-feira, deverão ser definidas novas ações da contraofensiva a Cunha. Na sequência, o ministro Ricardo Berzoini (Governo) se reunirá com a base aliada para repassar as orientações do Planalto e estruturar um discurso comum em defesa de Dilma. (AE)

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