Sábado, 31 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 31 de janeiro de 2026
Paralisação do governo norte-americano desta vez é apenas parcial e deve ser curta, segundo analistas
Foto: ReproduçãoO governo federal dos Estados Unidos entrou em um novo cenário de “shutdown”, apenas três meses após o mais longo da história do país, que aconteceu em outubro e novembro do ano passado. Dessa vez, a paralisação orçamentária é parcial e deve ser breve, com votação prevista para segunda-feira (2) no Congresso.
O que é um “shutdown”: nesse cenário, serviços públicos do governo dos Estados Unidos, como o controle aéreo e o pagamento de benefícios, podem ser interrompidos. Servidores públicos são colocados em licença, enquanto outros, que trabalham em serviços essenciais, podem ter os salários suspensos. A remuneração será paga de forma retroativa quando o orçamento for normalizado.
A medida vem depois do embate entre a gestão Trump e os democratas, que pediram pelo bloqueio do financiamento do DHS (Departamento de Segurança Interna), que financia o ICE, a agência federal de imigração dos Estados Unidos, após as mortes a tiros de dois manifestantes durante as operações anti-imigração do governo no estado de Minnesota.
O Senado americano já aprovou um novo projeto orçamentário com previsão de financiamento da maioria das agências até setembro, mas a medida ainda depende da avaliação do texto na Câmara dos Representantes. A votação foi programada para o início da próxima semana e deve encerrar o “shutdown”.
As consequências, portanto, devem ser mínimas, já que o bloqueio pode durar apenas um fim de semana, sem que muitos funcionários sejam colocados em licença não remunerada.
O texto aprovado na sexta-feira (30) no Senado, com 71 votos a favor e 29 contra, é resultado de um acordo entre o presidente republicano e os senadores democratas. A oposição aceitou aprovar cinco dos seis projetos do texto orçamentário, enquanto a parte correspondente ao DHS será objeto de novas negociações nas próximas duas semanas.
Em nota, o OMB (Escritório de Orçamento) da Casa Branca pediu aos diferentes departamentos que implementassem o plano para um “shutdown” ao mesmo tempo em que afirmava “ter esperança de uma paralisação breve”.
Fim da violência
Na semana passada, o texto parecia seguir para a aprovação antes da data limite de 31 de janeiro, mas os acontecimentos de sábado (24) em Minneapolis modificaram o contexto político.
A morte de Alex Pretti, bem como a de Renee Good dias antes, por disparos de agentes federais em Minneapolis, provocou um movimento de indignação no seio da classe política. O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, enumerou na sexta as demandas democratas, afirmando querer “frear o ICE e pôr fim à violência”.
Para isso, o legislador exigiu medidas como proibir o uso de balaclavas pelos agentes. “Chega de polícia secreta”, afirmou. Devido às normas no Senado, eram necessários 60 votos de 100 para aprovar um projeto orçamentário. Os republicanos têm maioria na Casa, mas precisavam do apoio de vários membros da oposição para aprovar o orçamento.
Embora o “shutdown” tenha entrado em vigor, é provável que não se repita o que ocorreu no ano passado, quando os Estados Unidos vivenciaram o fechamento governamental mais longo de sua história.