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Política Grupo parlamentar se mobilizou para beneficiar Daniel Vorcaro, blindar políticos, pressionar a Polícia Federal e o Banco Central e evitar a CPI do Banco Master

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Informações em posse da presidência do Congresso devem ser entregues à Polícia Federal, que irá compartilhar o material com a comissão. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Um grupo de parlamentares agiu para aprovar propostas no Congresso Nacional que favoreciam o Banco Master, blindavam políticos, pressionavam a Polícia Federal (PF) e o Banco Central (BC) e agora tenta evitar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso.

Nos bastidores, as iniciativas têm sido atribuídas à chamada “Bancada do Master” no Congresso. A bancada deixou digitais enquanto o Master vendia carteiras “podres” para o Banco de Brasília (BRB), o banqueiro Daniel Vorcaro aumentava seu leque de relações políticas com festas e eventos patrocinados e o BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, tentava comprar o banco.

O caso Master está sob investigação da Polícia Federal. O processo, sigiloso, está nas mãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), cujos irmãos tiveram participação em um resort de luxo que recebeu recursos de fundos ligados ao Master.

Em março de 2025, o BRB tentou comprar o Master, mas a proposta foi rejeitada pelo Banco Central em setembro. Vorcaro foi preso em novembro, tendo sido solto depois, e o banco foi liquidado. As datas coincidem com movimentos de líderes no Congresso para aprovar propostas que favoreciam o banco e blindavam políticos.

A cúpula do Congresso resiste a criar uma CPI para investigar o caso. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já disse que a CPI do Master vai “entrar na fila”, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), resiste a demonstrar apoio. A iniciativa também não interessa ao governo, sobretudo em ano eleitoral. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), avisou que é contra.

Apesar desse cenário, parlamentares governistas e de oposição travam uma batalha de bastidor para criar as comissões, em uma disputa pelo protagonismo e enfoque da investigação. O lado governista protocolou um pedido de CPI na Câmara, enquanto a oposição aposta em uma CPI Mista, com deputados e senadores.

Dois dias antes de o Banco Central rejeitar a compra do Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), e com as investigações avançando, o deputado Claudio Cajado (PP-BA) apresentou um requerimento de urgência para acelerar a tramitação de um projeto de lei de 2021 que permite ao Congresso destituir presidentes e diretores do Banco Central.

Cajado é vice-presidente do PP e um dos aliados mais próximos a Ciro Nogueira. Ele chegou a presidir o partido provisoriamente na época em que Nogueira era ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL). Procurado, Cajado não quis fazer comentários sobre o tema.

O requerimento ganhou apoio de seis líderes partidários e começou a tramitar no dia 2 de setembro: Isnaldo Bulhões (MDB-AL), Doutor Luizinho (PP-RJ), Pedro Lucas Fernando (União-MA), Pedro Campos (PSB-PE), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e Gilberto Abramo (Republicanos-MG). Desses, apenas Pedro Campos e Sóstenes Cavalcante assinaram o pedido para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Master no Congresso.

A proposta foi criticada por autoridades e ex-diretores do Banco Central, como o ex-presidente da autarquia e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, e o ministro da Fazenda do governo Lula, Fernando Haddad, por ameaçar diretores do BC com demissão no momento em que a autoridade monetária conduzia uma investigação sobre o Master e uma análise sobre a proposta de compra do banco de Vorcaro pelo BRB.

Após a apresentação do requerimento de urgência, a deputada Lídice da Mata (PSB-BA), uma das autoras do projeto, pediu a retirada de tramitação da proposta na Câmara. A bancada do PSB não concordou com o resgate do texto no meio do caso Master.

O líder do partido na Casa, Pedro Campos (PE) disse que, como representante da bancada, assinou todas as urgências de projetos do partido e que o PSB foi um dos primeiros a denunciar as irregularidades da compra do Banco Master e a propor uma CPI.

Dois dias antes de o Banco Central rejeitar a compra do Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), e com as investigações avançando, o deputado Claudio Cajado (PP-BA) apresentou um requerimento de urgência para acelerar a tramitação de um projeto de lei de 2021 que permite ao Congresso destituir presidentes e diretores do Banco Central.

Cajado é vice-presidente do PP e um dos aliados mais próximos a Ciro Nogueira. Ele chegou a presidir o partido provisoriamente na época em que Nogueira era ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL). Procurado, Cajado não quis fazer comentários sobre o tema.

O requerimento ganhou apoio de seis líderes partidários e começou a tramitar no dia 2 de setembro: Isnaldo Bulhões (MDB-AL), Doutor Luizinho (PP-RJ), Pedro Lucas Fernando (União-MA), Pedro Campos (PSB-PE), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e Gilberto Abramo (Republicanos-MG). Desses, apenas Pedro Campos e Sóstenes Cavalcante assinaram o pedido para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Master no Congresso.

A proposta foi criticada por autoridades e ex-diretores do Banco Central, como o ex-presidente da autarquia e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, e o ministro da Fazenda do governo Lula, Fernando Haddad, por ameaçar diretores do BC com demissão no momento em que a autoridade monetária conduzia uma investigação sobre o Master e uma análise sobre a proposta de compra do banco de Vorcaro pelo BRB.

No dia 16 de setembro de 2025, o deputado Claudio Cajado (PP-BA) apresentou o parecer da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem, dando foro privilegiado para dirigentes de partidos políticos com representação no Congresso, que passariam a ser julgados pelo STF em crimes comuns. A PEC foi aprovada na Câmara, sob forte reação e manifestação popular de repúdio nas ruas, e não andou no Senado.

A iniciativa foi patrocinada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (RepublicanosPB), e apoiada pelos principais líderes da Casa. Nessa época, o Master já estava sendo investigado e o Banco Central havia rejeitado fazia duas semanas a proposta de compra do banco de Daniel Vorcaro pelo Banco Regional de Brasília (BRB).

O presidente do PP, Ciro Nogueira, e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, agiram juntos para oferecer uma aliança e apoiar a campanha do atual governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), ao Senado em 2026, após o emedebista atuar para o BRB comprar o Master.

O União Brasil, presidido por Rueda, controla o RioPrevidência, o fundo de pensão dos servidores do Estado do Rio, que aplicou aproximadamente R$ 1 bilhão no Master. O fundo foi alvo de uma operação da Polícia Federal por suspeita de irregularidades na operação, incompatível com a finalidade do instituto de previdência e com risco elevado.

Em novembro, ao analisar o projeto de lei antifacção, enviado pelo governo, a Câmara fez alterações na proposta. O relator do texto na Casa, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), apresentou diferentes versões do parecer com propostas que, na visão do governo, limitavam a atuação da Polícia Federal.

A proposta determinava que a PF só poderia entrar em investigações de organizações criminosas quando os fatos tivessem repercussão interestadual ou transnacional e mediante pedido dos governadores.

A proposta entrou na pauta da Câmara um dia depois de a PF prender Daniel Vorcaro. Após críticas do governo, o relator voltou atrás em alguns pontos. Segundo líderes da Câmara, essa foi mais uma iniciativa que tumultuou as discussões do projeto enquanto o órgão investigava o Master.

Derrite afirmou em nota que “a tentativa de associar o PL Antifacção aos fatos envolvendo o Master é juridicamente incorreta e politicamente oportunista.” Ressaltou que assinou o pedido de CPI para o Master.

Conforme o Estadão mostrou, os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), resistem a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master no Congresso Nacional.

Na semana passada, Hugo Motta afirmou que há uma “fila de CPIs” na frente da do Master. Dois pedidos de CPIs já foram protocolados: uma na Câmara e uma mista, de deputados e senadores. A situação aumentou a pressão sobre Motta e Alcolumbre, responsável por abrir uma comissão mista. Aliados de Alcolumbre avisam que ele não está disposto a criar uma CPI do Master.

O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, também entrou em campo para barrar a instalação da CPI, segundo apurou a reportagem.

Rueda é constantemente apontado por parlamentares como um “lobista” do Master e de Vorcaro no Congresso. O Estadão ouviu essa avaliação de dois deputados e um senador que só aceitaram falar reservadamente. Procurado, Rueda não comentou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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