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Geral Guerra entre Israel e Hamas desencadeia onda de antissemitismo na Europa

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Diversos países europeus registraram um salto nos incidentes de antissemitismo. (Foto: Reprodução)

Uma estrela de Davi grosseiramente pintada nas portas das casas de judeus em Berlim. Um judeu ortodoxo agredido em um ônibus em Londres. Cartas ameaçadoras enviadas para um destacado político judeu na França.

Por toda a Europa, onde séculos de pogroms e o Holocausto quase exterminaram os judeus, eles agora sofrem um duro golpe. O primeiro é a dor e o choque resultantes do ataque do Hamas a Israel que destruiu a suposição de que pelo menos lá, os judeus estariam a salvo dos tipos de ataques que marcam sua história na Europa.

O segundo golpe é a ascensão de incidentes antissemitas após o ataque e em meio à campanha militar de Israel contra o grupo militante islâmico Hamas. O Reino Unido, que abrigou os judeus que fugiram da Europa continental durante a Segunda Guerra Mundial, registrou pelos menos 805 incidentes antissemitas desde os ataques do Hamas, o maior número já registrado em um período de 21 dias e mais que o total dos primeiros seis meses do ano, segundo o Community Security Trust, um grupo judaico que vem monitorando o antissemitismo desde 1984.

França, Alemanha e outros países também registraram um salto nos incidentes, que incluem o lançamento de um coquetel molotov contra um centro judaico com sinagoga e escola em Berlim. Em 24 de outubro, a polícia alemã prendeu um ex-combatente do Estado Islâmico que já havia cumprido uma sentença de prisão por pertencer ao grupo militante e sob suspeita de planejar jogar um caminhão contra uma manifestação pró-Israel, disseram promotores públicos.

No último dia 29, uma multidão invadiu um aeroporto na república russa do Daguestão, de maioria muçulmana. Centenas de pessoas, algumas gritando slogans antissemitas e agitando bandeiras palestinas, invadiram a pista de pouso em busca de passageiros judeus em um voo que chegava de Tel Aviv. Havia cerca de 15 israelenses a bordo e nenhum foi ferido, segundo disseram autoridades israelenses, Líderes muçulmanos do Daguestão condenaram o incidente. Um centro judaico em uma república vizinha foi incendiado.

O ataque do Hamas e o posterior aumento dos incidentes antissemitas estão levando alguns judeus europeus a se perguntarem se algum dia estarão seguros, seja em Israel ou na Europa, um continente que foi o centro da vida judaica durante séculos até a Segunda Guerra Mundial. Os judeus na Europa dizem que agora enfrentam uma combinação de antissemitismo de extrema direita, bem como um antagonismo crescente devido ao conflito de Israel com os palestinos, tanto da extrema esquerda como das crescentes populações muçulmanas da Europa, que, ao contrário do que ocorre nos EUA, superam em muito as comunidades judaicas.

“Não saio de casa há dias e minha filha não está indo à escola”, diz Mirna Funk, 42, escritora e mãe de uma menina de oito anos em Berlim. Ela diz que muitos conhecidos estão pensando em emigrar, mas agora há uma sensação de que nem mesmo Israel é seguro. “Para onde devemos ir?”, pergunta ela.

Funk diz estar desanimada com as manifestações contra Israel ao redor do mundo, que sempre incluem slogans antissemitas, desde os ocorridos em campi universitários nos EUA até um na Austrália. Ela diz estar aterrorizada com o que considera ser um crescente sentimento antissemita na Alemanha, parte dele vindo de sua população muçulmana de 5,5 milhões. A comunidade judaica da Alemanha, por outro lado, é de cerca de 118 mil pessoas, a maioria judeus da extinta União Soviética, que emigraram após o fim da Segunda Guerra.

Anna Staroselski, presidente da União Alemã dos Estudantes Judeus, diz que mudou o nome que usa no Uber e outros aplicativos, para evitar ser identificada pelos motoristas do Oriente Médio. “Nunca tive tanto medo em minha vida”, diz a jovem de 27 anos, referindo-se aos últimos dias.

Muitos muçulmanos também sofrem preconceito. Incidentes envolvendo muçulmanos na Europa e outros lugares geralmente também aumentam durante distúrbios ocorridos no Oriente Médio, ou depois de ataques terroristas islâmicos. Entre 7 e 24 de outubro, houve 400 incidentes de preconceito contra muçulmanos no Reino Unido, segundo o Tell MAMA, um grupo que computa ataques contra muçulmanos.

O Conselho Muçulmano do Reino Unido, que representa os muçulmanos britânicos, diz que embora muçulmanos e judeus possam ter diferentes pontos de vista sobre os acontecimentos no Oriente Médio, as duas comunidades partilham valores comuns. Um porta-voz rejeitou a ideia de que os muçulmanos têm mais atitudes antissemitas do que o público em geral.

“Assim como muitos clichês são usados para alimentar o antissemitismo, também há muitas afirmações negativas e generalizadas sobre os muçulmanos que alimentam a islamofobia. Uma desses clichês é que os muçulmanos são de alguma forma inerentemente antissemitas”, disse o porta-voz. As informações são da agência de notícias Dow Jones.

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