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Política Guerra no Oriente Médio aumenta a pressão sobre Lula em ano eleitoral

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É difícil crer que Lula assista passivamente aos efeitos da guerra. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A guerra no Oriente Médio já dura mais de um mês. No Brasil, caminhoneiros ameaçam greve, e é possível que falte diesel. Nos próximos meses, os alimentos podem ficar mais caros, justo quando o País se prepara para uma eleição.

Esse roteiro vale para o conflito atual no Oriente Médio, mas também poderia ter sido escrito em 2022, quando Bolsonaro se preparava para buscar a reeleição. Naquele momento, a Guerra da Ucrânia causou um severo choque econômico, quando todos ainda se recuperavam da pandemia. Mesmo assim, Bolsonaro tirou uma diferença de mais de 20 pontos porcentuais para Lula, e quase virou a eleição.

A comparação com a campanha passada é importante para evitarmos conclusões precipitadas sobre as eleições deste ano. Certamente, a guerra aumenta muito a pressão sobre Lula, num momento em que os escândalos de corrupção já atrapalhavam a comunicação do governo. Mas ainda é cedo para afirmar que a guerra levará à vitória da oposição. Tudo depende de como Lula reagirá ao conflito.

Os prognósticos, de fato, são bastante preocupantes. A cada semana de bloqueio do Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, aumenta a probabilidade de desabastecimento e de preços mais altos. Essa já tem sido a realidade nas regiões que dependem mais diretamente de importações do Oriente Médio.

Como o governo pode, então, reagir a isso?

A saída encontrada foi a subvenção à compra de diesel importado. Com o prolongamento do conflito, é provável que a subvenção seja ampliada; nos níveis atuais, insuficientes para cobrir a diferença entre o preço local e o internacional, a própria Petrobras terá dificuldades para importar cargas de diesel.

Para além do diesel, o governo também já observa os efeitos da crise sobre outros derivados de petróleo. Lula chamou de “bandidagem” a alta de preços do gás de cozinha após um leilão da própria Petrobras, e prometeu anular a operação; e a equipe econômica discute como lidar com a forte alta do querosene de aviação. Esses movimentos são sinais de uma resposta mais contundente do governo à medida que a crise avança.

A vantagem do Brasil, em relação à maioria dos outros países, é que a condição de exportador de petróleo permite uma resposta mais ousada. Essa sobra de arrecadação, que pode alcançar R$ 100 bilhões nas contas do Ministério da Fazenda, também representa uma diferença importante em relação à pandemia, quando as medidas de proteção social precisaram ser adotadas com aumento do endividamento.

Com essa gordura a mais, é difícil crer que Lula assista passivamente aos efeitos da guerra. Uma escalada mais séria, com destruição de empregos em vários setores no mundo, tende a ensejar uma reação também forte no Brasil. Se o governo entrar em pânico diante da perspectiva de derrota, a intensidade da reação será ainda maior. (Silvio Cascione/AE)

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