Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 14 de julho de 2025
Uma rede articulada pelo PT para abastecer influenciadores digitais com conteúdos políticos, como os gerados por inteligência artificial, conta com integrantes do Instituto Lula, da Fundação Perseu Abramo e sindicatos. A estratégia inclui “briefing” para grupos específicos capazes de disseminar materiais sugeridos por técnicos ligados à direção partidária.
Segundo a versão oficial dos profissionais e políticos mobilizados para o embate político digital, as peças criadas e as sugestões de atuação para a militância digital não passam pela “fulanização” de ataques nem pela desqualificação do Congresso Nacional.
As mensagens recomendadas seriam limitadas a críticas à “extrema direita”. Entretanto, materiais sugeridos que foram acessados pela reportagem são personalizados contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Os responsáveis pela campanha petista negam estar por trás de outros motes que tomaram as redes recentemente. Entre eles, o “Hugo Não se Importa”, que mirou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB); o “Congresso da Mamata” e outros vinculados ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por movimentos ligados à base social petista. Também afirmam que não pagam influenciadores e que conteúdos agressivos contra congressistas são elaborações espontâneas de usuários.
Entretanto, há uma zona cinzenta na organização da comunicação petista. Para além de encontros abertos, como o realizado no início do mês, articuladores da comunicação virtual fazem tratativas com grupos menores de influenciadores alinhados com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A informação foi confirmada por integrantes desses encontros que, por outro lado, se recusaram a listar os influenciadores participantes e os termos das orientações oferecidas a eles.
A relação com os influenciadores se dá sob o guarda-chuva da campanha “Pode Espalhar”, lançada pelo PT e arquitetada por uma das agências de comunicação que prestam serviços a esse ecossistema digital, a Caê Comunicação. A empresa pertence a Martha Romano, ex-sócia de Otávio Antunes, o marqueteiro responsável pela campanha de “nós contra eles” divulgada pelos canais oficiais do partido.
Os contratos ficam diluídos entre instituições e sindicatos, de forma que não estão concentrados na prestação de contas partidária do PT. Martha Romano não quis dar entrevista.
A Pode Espalhar recebe cadastros de influenciadores e disponibiliza vídeos, cards e até posts prontos para o X (ex-Twitter) para que os aliados os lancem na internet.
Uma parte dos grupos de WhatsApp é administrada por Ana Flávia Marx, diretora do Instituto Lula e uma influente estrategista digital ligada ao Partido dos Trabalhadores.
Uma estratégia semelhante foi liderada pelo Instituto Lula durante a campanha eleitoral de 2022. Ana Marx nega ataques pessoais.
O Instituto Lula se define como entidade sem fins lucrativos “independente de Estados e de partidos políticos” que se dedica ao “desenvolvimento nacional”, à “redução de desigualdades” e ao “estudo e compartilhamento de políticas públicas e privadas destinadas à erradicação da extrema pobreza e da fome”.
Em comunicado, o PT e a Fundação Perseu Abramo, entidade de formação política da sigla, informaram que o objetivo da Pode Espalhar é “reunir militantes digitais que já atuam nas redes em defesa das políticas públicas do governo e da democracia, organizando essa atuação com mais conteúdo, estratégia e formação”.
Para reagir ao ataque deflagrado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a campanha petista elaborou conteúdos que miram o clã Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas. Ambos culparam Lula pela decisão de Trump. As peças tratam a família do ex-presidente como uma “gangue” e se referem ao chefe do Executivo paulista como “cúmplice do tarifaço”.
Os vídeos misturam recortes de entrevistas com trechos produzidos com inteligência artificial e são explicados por um narrador. Há versões específicas para WhatsApp. “Bolsonaro e sua turma são os verdadeiros traidores da pátria”, destaca uma das produções.
Peças com o slogan “Defenda o Brasil” foram disseminadas na sexta-feira passada dia 11. Elas exploram as cores verde e amarelo e reproduzem imagens da bandeira nacional contra Trump e bolsonaristas.
A narração de um dos vídeos incluiu a mensagem: “Usaram nossa bandeira como fantasia para esconder traição, mentira, submissão. Essa bandeira não é figurino de traidor”.
Entre os influenciadores que ampliaram o alcance de vídeos artificiais do PT está Thiago dos Reis (PT), um dos maiores produtores de conteúdo político do País. O influenciador, que já gerou mais 1 bilhão de visualizações com seu canal no YouTube, responde a vários processos por calúnia. Ele repete no campo ideológico de esquerda a receita do “gabinete do ódio” da gestão Bolsonaro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Os comentários estão desativados.