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Curiosidades Herdeiros de casal judeu nos Estados Unidos cobram devolução de pintura de Van Gogh deixada para trás ao fugir do nazismo; entenda o caso

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Montagem do quadro “Colheita de Azeitonas” por Vincent van Gogh; ao lado de Hedwig Stern, seu marido, Frederick, e seu filho, Walter, a família que adquiriu o quadro em 1935. (Foto: Reprodução)

Os herdeiros de um casal judeu estão processando o Metropolitan Museum of Art (em Nova York, EUA) e uma fundação grega por causa de uma pintura a óleo de Van Gogh que, segundo afirmam, o casal foi forçado a deixar para trás na Alemanha ao fugir dos nazistas, na véspera da Segunda Guerra Mundial.

O processo acusa o Met – que comprou a pintura em 1956 por US$ 125 mil – de, no mínimo, negligência acadêmica por não ter descoberto a procedência comprometida da obra antes da compra. Em 1972, o museu vendeu a pintura a um magnata grego da navegação, e os herdeiros agora buscam sua devolução.

A pintura a óleo Colheita de Azeitonas foi feita por Van Gogh em 1889, um ano antes de sua morte, e adquirida pelo casal Hedwig e Frederick Stern em 1935.

De acordo com o processo, os Sterns foram impedidos de levar a obra consigo quando fugiram de Munique com os seis filhos para a Califórnia, em 1936. A pintura foi vendida na Alemanha em 1938, em nome da família, mas o lucro teria sido confiscado pelos nazistas, segundo o processo apresentado na segunda-feira no Tribunal Distrital Federal de Manhattan.

Após a guerra, a obra chegou aos Estados Unidos, onde foi comprada por Vincent Astor – um dos homens mais ricos do país – de um negociante de arte judeu que, segundo o processo, não revelou a propriedade anterior dos Sterns. A esposa de Astor, a filantropa Brooke Astor, vendeu posteriormente o quadro a uma galeria, que o repassou ao Met. O museu, por sua vez, o vendeu a Basil Goulandris, magnata grego da navegação, e à esposa, Elise, conforme os autos.

Atualmente, a obra está em exposição em um museu de Atenas administrado por uma fundação criada pelo casal Goulandris. No site da instituição, a procedência não menciona os Sterns como proprietários anteriores.

Os herdeiros já haviam movido ação semelhante em um tribunal federal da Califórnia em 2022, mas o caso foi arquivado por questões de jurisdição. O novo processo alega que Nova York é o foro apropriado para o julgamento.

“Nas décadas desde o fim da Segunda Guerra Mundial, esta pintura saqueada pelos nazistas foi repetidamente e secretamente traficada, comprada e vendida em Nova York e através dela”, afirmam os advogados dos herdeiros.

O processo sustenta que o Met deveria ter investigado mais a origem da pintura antes da aquisição. Segundo os documentos, a compra foi supervisionada por Theodore Rousseau Jr., curador de pinturas europeias do museu e especialista em pilhagem de arte pelos nazistas. Rousseau havia integrado a unidade de elite “Homens dos Monumentos”, que rastreou e recuperou obras saqueadas durante a guerra.

“Rousseau e o Met sabiam ou deveriam saber que a pintura provavelmente havia sido saqueada pelos nazistas”, alega o processo. “Rousseau não tomou nenhuma medida para verificar informações sobre as transferências da obra da Alemanha ou dentro dela durante a guerra.”

Os autos mencionam locais na Alemanha e nos Estados Unidos onde os Sterns apresentaram reivindicações e conduziram investigações após o conflito, inclusive com a ajuda de um especialista em restituição do Departamento de Estado americano.

O Met afirma não ter conhecimento de qualquer envolvimento nazista na história da pintura antes ou depois de sua posse. Em nota divulgada em 2022, quando o processo foi movido pela primeira vez, o museu declarou que, “durante o período em que a pintura esteve sob sua guarda, não havia registro de que ela pertencesse à família Stern”, e acrescentou que “essa informação só se tornou disponível várias décadas depois que a obra deixou o acervo”.

O comunicado também justificou a venda, dizendo que o Van Gogh foi alienado para levantar fundos de aquisição porque “foi considerado de qualidade inferior a outras obras semelhantes da coleção”.

“Embora o Met mantenha respeitosamente sua posição de que esta obra foi adquirida e desativada legalmente e dentro de todas as diretrizes e políticas”, prosseguiu a nota, “o museu acolhe e considerará qualquer nova informação que venha à tona”.

A fundação Goulandris não respondeu aos pedidos de comentário. O processo também cita outro membro da família e uma empresa controlada por ela. No caso anterior, os advogados da família Goulandris argumentaram que o tempo decorrido tornava injustamente difícil a defesa, já que “provas e testemunhas cruciais”, incluindo a própria Hedwig Stern, não estão mais disponíveis.

Nos autos, os herdeiros citam reportagens do New York Times sobre o leilão de 1972, incluindo uma publicada na primeira página, que sugeria que a venda do Van Gogh pelo museu não foi amplamente divulgada e só veio à tona meses depois, quando o quadro e outra obra vendida pelo Met reapareceram no mercado. O processo alega que o museu evitou um leilão público que poderia ter revelado a origem nazista da pintura.

Os herdeiros pedem que o Met indenize a família “pelo valor obtido com a posse e uso da pintura saqueada de 1956 a 1972 e pelos lucros recebidos com sua venda em 1972”.

Os Sterns foram impedidos de levar a obra ao exterior porque os nazistas a declararam “propriedade cultural alemã”. Apesar disso, os nazistas não valorizavam Van Gogh, cuja arte moderna era rotulada como “degenerada”. Eles confiscaram o dinheiro da venda, e a obra passou por diversos proprietários até ser consignada por Brooke Astor, em 1955, à Galeria Knoedler.

O processo afirma que o Met deveria ter sido mais cauteloso ao comprar a obra da Knoedler, uma galeria já então identificada como envolvida na comercialização de obras saqueadas da Europa.

O óleo era uma das três pinturas semelhantes de mulheres colhendo azeitonas que Van Gogh produziu durante seu tratamento no asilo de Saint-Rémy, perto de Arles. Após criar uma pintura original, o artista costumava desenvolver versões alternativas. Em 2002, o Met adquiriu uma dessas versões, Mulheres Colhendo Azeitonas. Uma terceira pintura sobre o mesmo tema está na Galeria Nacional de Arte, em Washington, D.C. As informações são do jornal The New York Times.

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