Domingo, 05 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 3 de outubro de 2015
O coração, normalmente, fica “guardado” do lado esquerdo do peito. Mas, no caso, de Jucimar Alves Marques, é diferente. O coração dele é invertido e fica do lado direito. O brasileiro disse que foi desenganado pelos médicos ainda recém-nascido e, desde então, recebeu previsões sobre o tempo curto de vida que teria.
“Quando eu nasci, o médico me mandou para casa, para eu morrer dentro de cinco dias. Aos 15 anos, disseram que eu ia viver somente até os 18 anos. A vida inteira tive prazo de validade e hoje estou aqui, com 35 anos. Eu sou um milagre de Deus”, disse.
Além de ser virado para o lado direito, o coração de Jucimar tem outra anomalia chamada Tetralogia de Fallot. Por causa da doença, o órgão dele tem um buraco entre as duas cavidades. Devido à abertura, o sangue do ventrículo esquerdo se mistura com o do ventrículo direito. Além disso, um estreitamento na válvula pulmonar dificulta a passagem do sangue para o pulmão.
A doença cardíaca faz com que Jucimar tenha várias dificuldades e alguns sintomas causados pela má circulação sanguínea. Qualquer atividade que ele faz, o deixa sem fôlego. Até subir alguns degraus da escada é um sacrifício. Os lábios e as pontas dos dedos ficam roxas e, quando estende as mãos, os dedos ficam tortos.
Jucimar nunca trabalhou e a doença também atrapalhou os estudos. “A minha mãe me protegia muito, eu era o caçula e ela não me deixava sozinho. Não vivi como eu deveria. A vida toda eu fiquei em casa. Vivo a cada momento pensando que não posso amanhecer vivo e a sensação é muito ruim.”
Mas com humor, Jucimar diz que ao revelar para as pessoas que tem o coração do lado contrário, muitos acham graça e pedem para sentir o órgão batendo do lado direito. “Eles querem comprovar e se divertem com isso”, disse aos risos.
O brasileiro fez vários exames e ficou comprovado que ele precisa fazer uma cirurgia para corrigir alguns problemas no coração. A inversão de lado foi descartada pelo médicos. O procedimento foi marcado duas vezes, mas por medo de morrer na mesa de cirurgia, ele desistiu. Segundo os médicos, o ideal era Jucimar ter feito a cirurgia ainda na infância. Mas a mãe dele tinha medo.
Como será a cirurgia.
Jucimar está fazendo os exames e deve marcar a cirurgia nos próximos dias. No procedimento, os médicos vão fechar o buraco que liga as duas cavidades do coração e vão abrir a saída do sangue para a artéria pulmonar.
O cardiologista José Carone acompanha o paciente há algum tempo. “É claro que existe risco como em qualquer cirurgia, mas eu já falei que ele está correndo mais risco sem operar do que em uma sala de cirurgia. Esse rapaz é um sobrevivente. Dificilmente uma pessoa consegue viver com essa doença por tanto tempo”, explicou.
Carone afirmou que se continuar sem a cirurgia, Jucimar corre sérios riscos. “Ele pode morrer. Jucimar tem uma patologia congênita chamada de Tetralogia de Fallot. Uma anomalia que o coração tem quatro problemas. Além disso, ele é portador de uma dextrocardia. Tem o coração do lado de direito do peito. A tetralogia em pacientes com dextrocardia é que se torna um caso mais raro”, salientou.
Há seis meses, Jucimar conheceu Thainá Guasti pela internet e se apaixonou pela primeira vez. Quando ela soube do problema, levou um susto. O segundo encontro do casal foi no hospital. “Fui me aprofundando na história dele e minha família o adotou. Todo mundo faz um pouco para ajudar. Hoje ele tem outra perspectiva, fez acompanhamento psicológico para perder o medo. Eu tenho fé que vai dar tudo certo”, confessou Thainá.
Jucimar precisa de doação de sangue para a cirurgia e se prepara para viver uma nova vida. “Quero ter uma vida normal, como todo mundo tem. Trabalhar, construir uma família e jogar bola. O que eu mais quero”, disse. (AG)
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