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Variedades Homens se apegam a relógios luxuosos como um símbolo de status e riqueza

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Modelos tradicionais conquistam os homens de negócios e da geração Z. (Foto: Reprodução)

Para as mulheres, bolsas de luxo são símbolos de poder há décadas. Mas o universo masculino parece preferir ícones de sucesso tão ou mais caros que bolsas, porém mais discretos – às vezes tão sutis que mal se veem, escondidos sob a manga da camisa –, como os relógios de luxo.

Segundo os colecionadores, o mercado para os relógios de luxo está em crescimento no Brasil. Este objeto para ver as horas virou ícone do guarda-roupa dos endinheirados, impulsionado por influenciadores masculinos que divulgam os novos modelos, assim como as blogueiras propagandeavam roupas – misturando comentário de moda, conhecimento técnico e estímulo ao consumo.

Pedro Nog, consultor de estilo e editor do canal Moda Masculina no YouTube e no Instagram, destaca o papel do relógio como um símbolo de poder móvel. “O cara tem um carro caro, só que o carro é quando ele está dirigindo. O relógio, o cara vai levar dentro da reunião, num jantar, vai levar em todo lugar. Boa parte do fascínio vem disso”, afirma.

Nog, que ajuda homens de negócios a montarem seus guarda-roupas, diz que os executivos se comparam uns aos outros. Numa reunião de trabalho, comentar o relógio do colega é uma forma de quebrar o gelo e iniciar uma conversa que pode gerar um acordo. E este relógio, via de regra, nunca é barato. “Minha sensação é de que a pressão feminina é mais estética e a masculina é mais financeira”, afirma ele.

Além disso, o consultor argumenta que máquinas como aviões e carros hipnotizam os homens, e o relógio “é uma máquina em miniatura”. Ele observa que os modelos a quartzo —como os da japonesa Casio – têm alta precisão e são mais finos e compactos, mas defende que os automáticos, mesmo maiores, “são pequenas obras de engenharia que você coloca no pulso, uma coisa meio mágica”.

Nos relógios a quartzo, de valores mais acessíveis, na casa das centenas de reais, o mecanismo marca a hora certa sem precisar de ajuste por semanas. Nos modelos automáticos, o relógio desregula alguns segundos diariamente até os ponteiros pararem. Para voltarem, é preciso dar corda.

Esta é a graça, assim como pôr a agulha no vinil e virar o lado do disco fascina quem prefere o som analógico. Na prática, um Rolex de R$ 350 mil dá mais trabalho ao usuário do que um Casio de R$ 350 – e tende a ser menos preciso. Contudo, o valor de uma peça de relojoaria não está na exatidão, mas na tradição, na engenharia manual, na história por trás do relógio e no valor percebido da marca.

Estilo old money

O sucesso de séries como “Sucession” trouxe de volta a estética do “old money”. Suéteres de cashmere, sapatos mocassim e calças jeans de cintura alta encantam quem tem dinheiro de berço ou quer parecer aristocrata – e este look é mais afeito a um Cartier do que a um Apple Watch.

Michelle Piñeiro, diretora de marketing da Monte Carlo Joias, varejista de joias e relógios há 45 anos, afirma que, depois do fervor dos smartwatches, os relógios tradicionais começaram a reagir. Isto não é um fenômeno passageiro, argumenta, porque os relógios, sobretudo os automáticos, viraram um contraponto ao ambiente digital ao remeterem à “tradição, maquinário, engrenagens, a uma experiência física”.

Segundo Piñeiro, o que antes era visto como “coisa de senhorzinho” hoje também conquista jovens de 25 a 30 anos, que juntam dinheiro para comprar seu primeiro relógio. A nova geração, acrescenta ela, intercala relógios tradicionais e smartwatches na rotina – um mede produtividade e desempenho físico, o outro representa a busca por tradição.

Jogadores brasileiros de futebol também são motores fortíssimos de consumo, mesmo que não sejam oficialmente contratados pelas marcas e ostentem os relógios por conta própria. Durante uma folga na Copa do Mundo, Neymar exibiu nas redes um relógio de US$ 1 milhão, cerca de R$ 5 milhões, da Jacob & Co., feito de ouro rosé, com figuras de um dragão e de um tigre, pintados à mão, cravejado com centenas de diamantes.

Brasil

Embora representantes do setor falem em crescimento e as principais marcas da alta relojoaria possam ser compradas no Brasil, como Rolex e IWC Schaffhausen, o Brasil não está entre os grandes importadores de relógios suíços, assim como nenhuma outra nação da América Latina.

Segundo o relatório mais recente da Federação da Indústria Relojoeira Suíça, que apresenta os dados de junho deste ano, os maiores mercados para relógios de pulso do país europeu são Estados Unidos, França, Reino Unido, Japão, Hong Kong e Singapura. (As informações são da Folha de S. Paulo)

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