Terça-feira, 29 de setembro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Câmara dos Deputados realiza nesta quarta audiência pública sobre a volta do horário de verão

Compartilhe esta notícia:

No entanto, o Operador Nacional do Sistema Elétrico descartou o retorno da medida já neste ano. (Foto: Reprodução)

A Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados realiza nesta quarta-feira (22) audiência pública para debater pedidos de retorno do horário de verão. A prática de adiantar os relógios uma hora durante os meses da primavera e do verão foi extinta em abril de 2019 pelo presidente Jair Bolsonaro, sob alegação de que não havia benefício econômico.

O debate foi solicitado pelo presidente da comissão, deputado Bacelar (Pode-BA). Ele informa que, no fim de junho, empresários de setores como turismo e bares e restaurantes encaminharam uma carta para Bolsonaro pedindo a volta do horário de verão ainda em 2021.

“No texto, eles afirmam que a presença de uma hora a mais de claridade no fim da tarde impactava positivamente os negócios, o que seria bem-vindo durante a pandemia de Covid-19, que afetou drasticamente o faturamento das empresas do setor”, diz Bacelar.

O deputado ressalta também que, para diversos economistas, a volta do horário de verão é imprescindível por conta da crise energética no País. Bacelar cita avaliação do economista Claudio Frischtak, que foi convidado para a audiência, de que o horário de verão pode reduzir em até 4,5% o consumo de energia no fim de tarde.

Também foram convidados para a audiência o professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), Nivalde de Castro, e um representante do Ministério de Minas e Energia.

Vantagens

Economia de energia – Diante do baixo nível dos reservatórios hidrelétricos, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, pediu a colaboração da população para redução do consumo de energia, sugerindo entre as medidas a serem adotadas um maior aproveitamento da luz natural.

Com o adiantamento dos relógios em uma hora, as regiões que adotam o horário especial ganham uma hora adicional de luminosidade no fim da tarde, adiando o acionamento de lâmpadas e de eletrodomésticos na volta para casa depois do trabalho. Historicamente, a economia era de cerca de 4% a 5% da demanda no horário de pico.

Mais vendas no varejo e nos bares – Uma segunda vantagem do horário de verão é o estímulo às vendas do comércio e dos bares, resultado da hora a mais de luminosidade.

“O nosso setor, mesmo de portas abertas, tem 77% das empresas ainda operando com prejuízo. Então, na nossa visão, qualquer real que entre a mais vai ser muito importante, e o horário de verão sempre trouxe esse faturamento adicional na primeira hora da noite”, disse Paulo Solmucci, presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).

Segurança nas ruas – Um terceiro argumento em favor do horário de verão é a segurança.

“A evidência empírica sugere que uma hora a mais de luminosidade reduz homicídios, roubos e acidentes de trânsito”, disse Claudio Frischtak, sócio da consultoria Inter.B e especialista em infraestrutura, que publicou em 2019 um artigo sobre o tema em coautoria com os pesquisadores Miguel Foguel e Renata Canini.

Estudo de 2016, realizado por pesquisadores da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), por exemplo, analisou dados de ocorrência de acidentes rodoviários entre 2007 e 2013. Segundo o estudo, nos Estados em que o horário de verão era adotado, houve redução de 10% dos acidentes em rodovias federais.

Exercícios físicos e uso do espaço público – Por fim, um último argumento daqueles que defendem o horário de verão é a possibilidade fazer exercícios físicos ao fim da tarde e melhor aproveitar o espaço público.

O argumento foi usado até por Luciano Hang, dono das lojas Havan e bolsonarista de primeira hora. “Com o dia mais longo, as pessoas vivem melhor, vão às praias, praticam exercícios e têm mais qualidade de vida”, disse Hang, que aderiu ao movimento de empresários pela volta do horário de verão.

Desvantagens

Dificuldade de adaptação – O principal argumento dos contrários à volta do horário de verão é que a adaptação é difícil e a mudança mexe com o relógio biológico.

Um estudo de pesquisadores brasileiros publicado em 2017 na revista Annals of Human Biology, com mais de 12 mil participantes, mostrou que menos da metade (45,43%) diziam não sentir nenhum desconforto com a mudança de horário. E cerca de 25% diziam permanecer desconfortáveis durante todo o período de mudança de horário.

A dificuldade de adaptação tem razões biológicas: a alteração do horário mexe com a produção de hormônios como a melatonina e o cortisol, responsáveis respectivamente por dar sono e despertar o corpo.

Mudanças no ciclo agropecuário – Uma segunda desvantagem do horário de verão, segundo os contrários à medida, é que ele afeta o setor agropecuário.

O gado bovino, por exemplo, é sensível à mudança de horário das fazendas, que pode inclusive afetar a produtividade leiteira.

Horários diferentes Brasil afora – Uma terceira desvantagem é a maior dissincronia entre os horários país afora. O de Brasília, que abrange a totalidade das regiões Nordeste, Sudeste e Sul, além dos estados do Pará, Amapá, Tocantins, Goiás e o Distrito Federal; o de Fernando de Noronha (uma hora à frente de Brasília); o do Amazonas, Roraima, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (uma hora atrás de Brasília); e o do Acre e oeste do Amazonas (duas horas atrás de Brasília).

No horário de verão, Norte e Nordeste não adotam a mudança, que não faz diferença nessas regiões devido à proximidade delas com o Equador. Já Roraima, Rondônia e Amazonas passam a ter duas horas de diferença em relação a Brasília e o Acre, três horas.

tags: em foco

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Ministro do Tribunal de Contas da União suspende reajuste dos pedágios do Polo de Pelotas
Ministro do Supremo diz que Estados e municípios podem decidir sobre a vacinação de adolescentes
Pode te interessar