Sexta-feira, 09 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 9 de outubro de 2026
Os candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estrearam nessa sexta-feira (9) no horário eleitoral do segundo turno com uma disputa em torno dos programas sociais e dos direitos dos trabalhadores. Após uma ofensiva da campanha petista sobre o futuro de benefícios sociais em um eventual governo do PL, Flávio prometeu manter e reajustar o Bolsa Família, além de preservar o Minha Casa Minha Vida e o Farmácia Popular. Lula, por sua vez, voltou a atacar o adversário na área previdenciária e na discussão sobre o fim da escala 6×1, associando uma eventual vitória do senador ao risco de perda de direitos.
No programa de Flávio, as promessas sobre os benefícios foram apresentadas em um quadro de perguntas e respostas, no qual o candidato buscou afastar dúvidas sobre a continuidade das políticas sociais. Ao ser questionado sobre o Farmácia Popular, respondeu que o programa seria mantido. Fez a mesma promessa em relação ao Minha Casa Minha Vida e acrescentou que pretende reduzir o valor das prestações habitacionais.
“Eu vou manter e reajustar o Bolsa Família. E quem tem emprego não perde o benefício”, afirmou Flávio.
O senador também anunciou a intenção de criar um Ministério da Prosperidade, voltado a oferecer qualificação profissional, crédito e incentivo ao empreendedorismo. A proposta foi apresentada como uma forma de permitir que beneficiários de programas sociais ampliem a renda e conquistem autonomia financeira.
“Para esse governo, Bolsa Família é o máximo. Para mim, é só o começo. Eu vou criar o Ministério da Prosperidade para quem quiser estudar, fazer curso, empreender, ter crédito, abrir o seu próprio negócio, crescer e prosperar”, disse.
Entre as demais propostas apresentadas estão a ampliação de recursos para o SUS, a criação de um voucher-creche e medidas para reduzir o endividamento das famílias e os preços dos alimentos. Na segurança pública, Flávio defendeu classificar o PCC, o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas, construir cinco presídios federais de segurança máxima e acabar com as saídas temporárias de presos. Também prometeu implantar o Smart Brasil, uma rede nacional de monitoramento por câmeras inspirada no Smart Sampa, adotado na capital paulista.
A propaganda explorou ainda o resultado do primeiro turno e reuniu declarações de apoio dos ex-presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), da ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF), do senador e governador eleito Sergio Moro (PL-PR) e do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A estratégia foi apresentar a candidatura como parte de um movimento de mudança que, segundo a campanha, já teria começado nas urnas.
“A gente não está começando aqui uma nova campanha. A gente está dando o passo final de uma mudança que já começou. No primeiro turno, o Brasil já decidiu, votou na mudança. E agora, no segundo turno, o Brasil não está mais dividido, está todo mundo do mesmo lado. O Brasil está do lado da mudança”, disse Flávio.
O candidato destacou os mais de 56 milhões de votos recebidos no primeiro turno e afirmou que a eleição de uma bancada ampliada de aliados no Congresso permitirá aprovar as medidas de seu programa de governo. Flávio classificou o resultado como a formação da maior base de apoio parlamentar dos últimos 30 anos, sem detalhar os critérios utilizados para a comparação.
“Essa escolha o Brasil já fez no primeiro turno, quando elegeu a maior base de apoio no Congresso dos últimos 30 anos, para a gente poder finalmente aprovar todas as medidas que são alinhadas com o meu programa de governo, e não o do meu adversário”, afirmou.
Flávio também criticou a permanência de Lula no poder, lembrando que o petista disputa a Presidência pela sétima vez, em busca de um quarto mandato, e reiterou a promessa de acabar com a reeleição presidencial.
“Eu não quero ser presidente por projeto de poder. Eu quero ser presidente por projeto de país. É por isso que eu vou acabar com a reeleição”, disse.
Já a propaganda de Lula apostou em ataques a Flávio e recuperou notícias sobre cortes de recursos para o Farmácia Popular, a educação e outros serviços públicos durante o governo Jair Bolsonaro. A campanha procurou associar as propostas do adversário ao risco de perda de direitos e à redução de investimentos em áreas essenciais, ao mesmo tempo em que apresentou o petista como candidato capaz de dar continuidade às políticas sociais.
Na televisão, um dos ataques foi dirigido à política de armas defendida pelo bolsonarismo. Em um vídeo produzido com inteligência artificial, um pai aparece limpando uma arma na frente do filho. Na sequência, a criança encontra o objeto, leva-o para a escola e ouve-se um disparo. A cena é acompanhada de uma locução que afirma: “Com Flávio Bolsonaro, sua família perde a paz”. A propaganda também menciona a ampliação da circulação de armas durante o governo do ex-presidente.
Outro alvo foi a promessa de Flávio de promover um “tesouraço” nos gastos públicos. O candidato do PL foi retratado como uma marionete, enquanto a propaganda recuperava reportagens sobre cortes de recursos para educação, tratamento de câncer e merenda escolar na gestão Bolsonaro. “Não deixe esse pesadelo voltar. Com Flávio Bolsonaro, você perde”, afirmou a locução.
Na rádio, em uma conversa com apresentadores, Lula também procurou disputar com o adversário o discurso da mudança e da prosperidade. O presidente afirmou não enxergar em Flávio condições de oferecer um futuro melhor à população e associou a eleição a uma escolha entre projetos distintos para o país.
“Eu não vejo no meu adversário qualquer oportunidade de fazer alguma coisa que seja um futuro promissor para a sociedade brasileira. Alguma coisa que possa significar prosperidade para as pessoas”, disse.
Na televisão, Lula destacou sua experiência à frente do Executivo e afirmou estar preparado para promover novas mudanças. O presidente também fez um aceno aos eleitores que não votaram nele no primeiro turno, buscando ampliar o apoio à sua candidatura.
“Você quer prosperidade. E eu estou junto com você. Chego na minha última eleição pronto como nunca para fazer as mudanças no rumo certo”, afirmou.
O presidente também prometeu ampliar investimentos em educação, construir universidades e institutos federais, manter o Bolsa Família e universalizar o Pé-de-Meia. A propaganda destacou ainda a continuidade da política de valorização do salário mínimo acima da inflação e a defesa do fim da escala 6×1.
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