Terça-feira, 13 de outubro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Rio Grande do Sul Hospital é condenado a indenizar enfermeira nordestina vítima de xenofobia no litoral gaúcho

Compartilhe esta notícia:

Segundo testemunhas, colegas riam do sotaque da autora da ação

Foto: Divulgação
Segundo testemunhas, colegas riam do sotaque da autora da ação. (Foto: Divulgação)

O Hospital de Tramandaí, no Litoral Norte gaúcho, foi condenado a indenizar uma enfermeira que sofreu preconceito pelo fato de ser nordestina e ter o sotaque diferenciado. A decisão unânime da 1ª Turma do TRT-4 (Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região) confirmou a sentença da juíza Marinês Denkievicz Tedesco Fraga, do posto da Justiça do Trabalho de Tramandaí. A reparação por danos morais foi fixada em R$ 10 mil.

De acordo com laudos apresentados por psicólogos e médicos, a profissional passou a ter problemas psicológicos em decorrência da xenofobia. Uma médica do trabalho indicou que a paciente estava em acompanhamento devido ao quadro mental relacionado ao trabalho, compatível com estresse e transtorno de ansiedade. Houve a indicação de avaliação psiquiátrica de urgência.

Testemunha da ação, uma técnica de enfermagem que trabalhou no local afirmou ter presenciado outros dois colegas rindo do sotaque da autora. Segundo a depoente, isso acontecia com frequência na UTI (unidade de terapia intensiva), deixando a enfermeira “tímida e constrangida com a situação”.

Em sua defesa, a instituição de saúde afirmou que a empregada jamais foi submetida a humilhações. Segundo o hospital, o contrato de trabalho não teria tido continuidade porque a autora da ação não foi aprovada na avaliação de desempenho.

Para a juíza Marinês, as provas indicaram que o hospital não foi capaz de impedir a exposição da trabalhadora a comportamentos discriminatórios dos demais empregados. Foi violada, conforme a magistrada, a vedação constitucional à discriminação e a Lei 9.029/1995, que proíbe todas as formas de discriminação no ambiente de trabalho, entre outros dispositivos legais.

“No caso, fica evidente a situação de vulnerabilidade a que estava submetida a reclamante. Diante do quadro já delineado, não haveria como se esperar que a reclamante tivesse outra reação a não ser a de se sentir constrangida e acanhada quando vitimada por preconceito e discriminação recreativos, em razão de chacotas realizadas por colegas de trabalho”, afirmou a magistrada.

O hospital recorreu ao TRT-4. Do mesmo modo que a juíza de primeiro grau, o relator do acórdão, juiz convocado Ary Faria Marimon Filho, entendeu que o conjunto probatório comprovou a prática de xenofobia no ambiente de trabalho.

“A xenofobia pode ser definida como ‘um comportamento especificamente baseado na percepção que o outro é estrangeiro ou de origem de fora da comunidade ou da nação’, sendo prática vedada e combatida pelo ordenamento jurídico nacional e, também, pelo corpo de tratados internacionais aos quais a República Federativa do Brasil ratificou e promulgou”, ressaltou o magistrado.

Evidenciado o ato ilícito praticado por omissão da empresa, os magistrados fundamentaram o dever de reparar os danos causados à empregada no artigo 5º, V, da Constituição Federal e nos artigos 186 e 927 do Código Civil.

Os desembargadores Roger Ballejo Villarinho e Rosane Serafini Casa Nova também participaram do julgamento. Cabe recurso da decisão. As informações foram divulgadas pelo TRT4 na segunda-feira (31).

tags: em foco

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Rio Grande do Sul

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

2 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Denise Goulart de Munhós
2 de abril de 2025 14:12

Quem deveria pagar a indenização são os colegas da enfermeira, os quais realizaram a xenofobia.

João Souza
3 de abril de 2025 12:19

Essas histórias de racismo, xenofobia, e outros mais, está virando chantagem emocional e financeira. O sotaque gaúcho sempre foi motivo de zombaria no centro do pais, o chiado carioca e paulista também e não sei de nenhum caso de processo pedindo indenização. Tem algo escuso nessa história !!!!!!!!

“Nossa prioridade é garantir a segurança da população e a rápida resposta às demandas mais urgentes”, diz governador gaúcho após temporal
Polícia Rodoviária Federal mantém suspensão de parcerias em operações contra o crime organizado
Pode te interessar
2
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x