Domingo, 04 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de agosto de 2019
Na noite de 14 de setembro (sábado), o cantor Edgar Pozzer promove no Clube Caixeiros Viajantes mais uma edição de seu baile anual. Para quem tem saudade dos anos dourados ou simplesmente gosta de dançar de rosto colado, trata-se de um uma rara oportunidade, já que esse tipo de evento tem sido cada vez mais escasso na capital gaúcha.
O eterno crooner-galã do Conjunto Melódico de Norberto Baldauf, Bar Girasole e dez discos solo estará acompanhado de José Vidal & Quarteto, com participação de Helena Ruperti e Cezar Teixeira. “O repertório terá muito bolero, samba-canção, bossa nova, música italiana e até algumas modernidades”, promete o artista, ainda jovem em seus 81 anos.
Os ingressos estão à venda pelos telefones (51) 99966-2704, 99984-4150 e 99914-5269 (com atendimento das 15h às 18h no Salão de Festas do clube). Localizado na rua Dona Laura nº 646 (bairro Rio Branco), o Caixeiros Viajantes fica próximo à avenida Goethe e ao Parque Moinhos de Vento.
Voz de Ouro
Nascido em Galópolis, reduto de descendentes de imigrantes italianos na Serra Gaúcha, Edgar Pozzer é um dos ícones da música romântica no Rio Grande do Sul, graças ao talento como intérprete e ao carisma de galã dos bailes, festivais e programas da antiga rádio Farroupilha e da hoje extinta tevê Piratini.
A trajetória musical de Edgar começou na década de 1940, com a mudança dos Pozzer para a cidade de Canela, onde o pai abriu um restaurante. No estabelecimento, ele começou a ensaiar seus primeiros passos como cantor, ainda adolescente, já faturando prêmios na rádio local. Aos 20 anos, já em Caxias do Sul (onde cantava na orquestra dos Irmãos Guerra, concluiu os estudos e serviu ao Exército), ele decidiu tentar a sorte em Porto Alegre.
Na Capital, amargou dois meses como vendedor da Enciclopédia Britânica e se inscreveu no concurso nacional “A Voz de Ouro ABC”, promovido pelas Empresas Associadas de Assis Chateaubriand e pelos eletrodomésticos ABC. O primeiro lugar no Estado e o vice nacional em 1958, com o bolero “El Reloj”, além de um título de cantor-revelação da revista “Rouxinol”, abriram as portas para o sucesso.
O auge da carreira de Edgar Pozzer coincidiu com a sua entrada no famoso conjunto de Norberto Baldauf em 1960 e com a explosão mundial da música italiana na segunda metade daquela década. Eram tempos de romantismo explícito, com Domenico Modugno, Pepino di Capri e os festivais da canção de San Remo.
O terreno era mais do que favorável a um intérprete que unia talento vocal, bom gosto no repertório e pinta de galã, chegando a atuar como modelo fotográfico para anúncios jornais e revistas. Até hoje ele trata o assunto como bom humor, desconversando quando vem à tona o rótulo de “muso” das plateias femininas.
Além de tês LPs gravados com o saudoso grupo de Norberto Baldauf entre 1962 e 1983, a discografia solo de Edgar Pozzer inclui três LPs e sete CDs – quase todos gravados e distribuídos em esquema independente, com autofinanciamento pelo próprio cantor.
Edgar Pozzer também foi um bem-sucedido homem da noite, com o seu bar Girasole, a mais longeva casa norturna de Porto Alegre. De 1970 a 2017, foram 47 anos com o mesmo nome, mesmo proprietário, mesmo endereço na rua Vieira de Castro (bairro Santana) e até o mesmo garçom.
(Marcello Campos)