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Política Idosos que batem a cabeça, como Bolsonaro, devem ficar 24 horas em observação

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Ex-presidente sofreu uma queda enquanto dormia na madrugada dessa terça-feira (6), segundo Michelle Bolsonaro. (Foto: Carolina Antunes/PR/Arquivo)

Idosos que sofrem queda com batida de cabeça, como ocorreu com o ex-presidente Jair Bolsonaro, devem passar por avaliação médica imediata e permanecer em observação por um período de 12 a 24 horas, mesmo que o trauma pareça leve e não haja ferimentos aparentes, dizem especialistas.

Segundo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, ele sofreu uma queda enquanto dormia na madrugada dessa terça-feira (6). Bolsonaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde novembro do ano passado após tentar romper a tornozeleira eletrônica com ferro de solda.

“Não sabemos ao certo o horário da queda, e o Jair não se lembra por quanto tempo ficou desacordado”, disse Michelle em publicação no Instagram.

“Já se passaram aproximadamente 6 horas e 36 minutos desde o ocorrido, sem que ele tenha podido realizar os exames necessários para verificar se houve algum trauma ou possível dano neurológico.”

A ex-primeira-dama disse que a queda de Bolsonaro ocorreu em razão de uma crise, mas não especificou qual seria. O ex-presidente tem um caso raro de soluços, mesmo após três cirurgias.

Segundo Eduardo Cruz, geriatra e diretor da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), é muito improvável que alguém caia por uma queixa de soluço intenso, mas é possível que caia em decorrência dos medicamentos usados no tratamento, que deixam a resposta do corpo mais lenta em situações de desequilíbrio.

“Muitas medicações usadas para tratamento do soluço são anticonvulsivante, sedativas, que vão diminuir a sensibilidade dos nervos frênicos (principal responsável por controlar o diafragma e, consequentemente, causando soluços). Portanto são medicações que podem provocar alteração do nível de consciência”, afirma.

Em nota, a Polícia Federal disse que Bolsonaro recebeu atendimento médico após ter relatado a queda à equipe de plantão. “O médico da Polícia Federal constatou que houve ferimentos leves e não identificou necessidade de encaminhamento hospitalar.”

A defesa do ex-presidente disse que há suspeita de traumatismo e pediu ao ministro do STF Alexandre de Moraes a transferência para um hospital “diante da urgência e gravidade do quadro”. Moraes negou o pedido.

A assessoria do Hospital DF Star, em Brasília, onde Bolsonaro passou por cirurgias, informou que não houve atendimento ao ex-presidente nessa terça.

Em casos de traumatismo craniano leve, Vanessa Milanese, neurocirurgiã e diretora de comunicação da SBN (Sociedade Brasileira de Neurocirurgia), afirma que o fator decisivo não é estar em casa, na sede da PF ou no hospital, mas sim garantir acesso rápido aos médicos.

“A decisão mais importante não é o local, mas o acesso rápido à equipe médica e possibilidade de monitoramento, além de remoção imediata ao hospital em caso de piora”, diz.

“Enquanto houver sintomas relevantes, a conduta mais segura é permanecer sob observação clínica”.

Segundo a especialista, em idosos traumas aparentemente leves exigem maior atenção. O ex-presidente tem 70 anos.

Milanese explica que o traumatismo ocorre quando há algum tipo de impacto na cabeça com risco de lesão no cérebro, mesmo sem cortes, hematomas ou sinais externos visíveis.

Ele pode ser considerado leve quando há sintomas como dor de cabeça, tontura, náusea, sonolência leve ou confusão passageira, e como moderado ou grave quando surgem sinais como sonolência intensa, dificuldade para falar, perda de força, desmaios, crises convulsivas ou piora neurológica progressiva.

Algumas manifestações podem aparecer horas ou até semanas depois do trauma.

“Pode ocorrer dor de cabeça prolongada, tontura ou desequilíbrio, alterações de memória, atenção ou humor e crises convulsivas em alguns casos”, diz Milanese.

Nesses casos, é indicado acompanhamento especializado com neurologista, neurocirurgião e equipe de reabilitação, especialmente se houver piora progressiva, novas quedas ou dificuldade para retomar atividades do dia a dia. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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