Terça-feira, 28 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 27 de julho de 2026
França e Espanha tentam aproveitar uma breve janela de condições meteorológicas mais favoráveis para conter os incêndios florestais que já devastaram centenas de milhares de hectares e provocaram o deslocamento de mais de 300 mil pessoas. Enquanto o avanço das chamas desacelera em algumas áreas, autoridades dos dois países alertam que uma nova onda de calor, prevista para começar entre esta terça (29) e quarta-feira (30), deve dificultar novamente o trabalho das equipes de emergência e aumentar o risco de novos focos.
Na Espanha, autoridades informaram que não houve novos grandes focos nem avanço significativo nos enormes incêndios ao sul e a oeste de Madri durante a noite, mas as chamas ainda seguem fora de controle. Em comunicado nesta segunda-feira, o Ministério do Interior classificou esta segunda e terça-feira como “dias absolutamente centrais” para tentar estabilizar os focos antes da mudança nas condições climáticas. A Agência Estatal de Meteorologia (AEMET) alertou para um risco “extremo” de incêndios florestais.
“O nível de perigo de incêndios continuará aumentando até alcançar valores extremos, dificultando os trabalhos de combate ao fogo devido às altas temperaturas, aos ventos predominantes do sul, com rajadas em algumas áreas, e à baixa umidade generalizada”, disse a agência, indicando que a nova onda de calor deverá durar “pelo menos” até domingo: “O episódio poderá se prolongar durante a próxima semana”.
Na província de Ávila, nos arredores da capital espanhola, o fogo já atingiu 80 mil hectares, tornando-se o maior incêndio florestal já registrado na história da Espanha. Em todo o país, 75 mil pessoas foram retiradas de suas casas nos últimos dias, enquanto outras 30 mil receberam ordem para permanecer em suas residências, em parte para manter as estradas livres. Outro grande incêndio espanhol avança cerca de 50 km ao norte da cidade costeira de Valência.
“Os incêndios florestais entraram em uma fase de crescimento exponencial”, disse Víctor Resco de Dios, professor de Engenharia Florestal da Universidade de Lleida, acrescentando que o incêndio em Ávila tem o dobro da extensão do recorde anterior no país. “Isso está nos levando a complexos gigantescos de incêndios, como os da Austrália ou da Califórnia.”
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, esteve nessa segunda-feira (28) no Posto de Comando Avançado de La Vall d’Uixó, junto à serra, onde outro foco de incêndio já devastou 7,2 mil hectares e segue se espalhando. Após se reunir com os responsáveis pela operação de combate ao fogo, ele advertiu que “ainda restam horas difíceis e complexas”, destacando que a preocupação aumenta com a chegada iminente da nova onda de calor.
“Não são incidentes isolados, mas a expressão mais dolorosa de uma emergência climática que está tornando os incêndios florestais de sexta geração cada vez mais ferozes”, disse. “É o novo normal: verões cada vez mais difíceis, destrutivos e, consequentemente, mortais.”
Sánchez afirmou que, apenas neste ano, os incêndios florestais queimaram aproximadamente 150 mil hectares na Espanha, e 13 pessoas morreram. O espanhol apelou para que a população redobre os cuidados para prevenir novos incêndios e defendeu a necessidade de um pacto de Estado para enfrentar a emergência climática. Ele disse, ainda, que o Conselho de Ministros aprovará na terça-feira um “decreto-lei que declarará a área [de La Vall d’Uixó] como gravemente afetada por uma emergência de Proteção-Civil”. Com informações do portal O Globo.
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