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Mundo Incertezas marcam as eleições no Reino Unido na quinta-feira

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Johnson, de 55 anos, e Symonds, com 32, anunciaram em fevereiro que estavam esperando o primeiro filho juntos. (Foto: Reprodução/Twitter/@BorisJohnson)

Incerteza é a única certeza das eleições no Reino Unido na quinta-feira (12), antecipadas pelo primeiro-ministro e líder do Partido Conservador, Boris Johnson, para garantir maioria que aprove no Parlamento seu acordo para o brexit (a saída da União Europeia). Até este fim de semana, pesquisas mostravam uma folga de 7 a 13 pontos para os conservadores – o limite para assegurar maioria são 6 pontos, segundo analistas. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Numa eleição batizada de breXmas (junção de brexit com Xmas, Natal, em inglês), os britânicos discutem até o efeito do frio e da chuva sobre os votos, mas o principal complicador é o divórcio com a UE.

Se o tamanho da vitória de Boris Johnson caminha para ser a principal notícia do dia 13, não fechará questão sobre sua capacidade de completar a saída da União Europeia até o fim de 2020, como prometeu.

E ainda estão no horizonte crises com escoceses e irlandeses do norte, que têm potencial para afetar até mesmo a continuidade do Reino Unido.

Dificuldades de aprovar o acordo de Boris Johnson para o brexit o fizeram antecipar de 2022 para este mês as eleições no Parlamento.

O objetivo é assegurar a maioria das 650 cadeiras e passar seu plano antes de 31 de janeiro, como prometeu.

Mas nem só de brexit vive a eleição. O tema era prioridade para 68% dos britânicos no começo da campanha, mas pesquisas recentes mostram um avanço da preocupação com o sistema público de saúde, o NHS, que passou de 40% das menções para perto de 50%.

O sistema registra piora nos indicadores de atendimento e é o principal tema do Partido Trabalhista, que acusa os conservadores de querer “vender o sistema para os americanos”. Acusações de antissemitismo no Partido Trabalhista e anti-islamismo no Conservador também têm ganhado espaço.

A discussão sobre a saída da UE favoreceu os conservadores especialmente em regiões que costumavam votar nos trabalhistas, mas são pró-brexit.

Boris Johnson repete o slogan “Let’s get brexit done” (“vamos resolver o brexit de uma vez”), eficiente entre eleitores cansados de três anos de vaivém, ainda que a vitória conservadora não garanta uma solução definitiva.

Boris também repete a tática de 2016: mensagens pela internet que abordam os interesses (e medos e rancores) individuais de cada eleitor.

Nesta eleição, tudo depende da vantagem conquistada por Boris. Professor da London School of Economics, o cientista político Patrick Dunleavy traça quatro cenários, de acordo com as cadeiras obtidas pelo Partido Conservador:

– mais de 322 eleitos – o primeiro-ministro aprova o acordo e governa pelos próximos cinco anos;

– 313 a 322 eleitos – Boris se mantém como chefe de governo, mas seu acordo pode sofrer resistências, principalmente do norte-irlandês DUP (Partido Unionista Libertário), descontente com os termos sobre fronteiras;

– 225 a 312 eleitos – o Reino Unido escolhe em outro referendo se fica na UE ou sai. Não há certeza sobre a continuidade de Boris;

– menos de 225 eleitos – Boris deixa o governo, e o trabalhista Jeremy Corbyn assume como primeiro-ministro, elabora novo acordo e o submete a referendo.

O destino do brexit também embute o risco de que o Reino Unido se encerre, com a separação da Escócia (pró-UE) e a pressão da Irlanda do Norte.

Para o ex-embaixador Sérgio Amaral, há risco da quebra de equilíbrio entre Irlanda e Irlanda do Norte, obtido “depois de anos e anos de guerra civil e mortes”. A perda de empresas e bancos será “um novo golpe no país que já foi a maior potência do mundo”, segundo Rubens Barbosa, também ex-embaixador.

 

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