Sexta-feira, 19 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 27 de novembro de 2015
Os temporais com grande incidência de raios, que vêm atingindo o País nas últimas semanas, dão a prévia de como será o tempo nos próximos meses, segundo as previsões metereológicas. Quem tem medo de trovões e aguaceiros deve ir se preparando para mais sustos. De acordo com um alerta do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), está previsto um aumento de tempestades, com fortes descargas elétricas, da ordem de 20% no verão, que começa no próximo dia 21. A previsão, segundo o engenheiro elétrico e coordenador do Elat, Osmar Pinto Junior, se baseia na análise do fenômeno El Niño, que começou em julho e já pode ser considerado de grande intensidade.
“O El Niño tornou as águas do Oceano Pacífico bem mais quentes, a quase 2,5 graus acima da média histórica. Isso mexe com a camada de toda a atmosfera da América do Sul. Os aguaceiros, com raios, virão com maior força”, adianta Osmar, ressaltando que o período mais crítico será entre 23 de dezembro e 23 de março de 2016.
Osmar ressalta que a marca de 2,5 graus de aumento da temperatura do Pacífico deverá ser a terceira mais alta já registrada desde 1950. A primeira foi em 1983 e a segunda, em 1998, quando a temperatura ficou 2,8 graus acima da média histórica.
“Ao cruzarmos os percentuais de previsão com a densidade populacional, somos levados a pensar que o número de acidentes, inclusive com mortes por raios, no próximo verão, pode aumentar, se não alertarmos adequadamente as pessoas sobre os efeitos do El Niño”, esclarece Osmar.
O pesquisador observa que, no litoral, há grandes possibilidade de incidentes com raios por conta das praias. “O melhor a fazer ao ver uma tempestade se aproximando é procurar um abrigo seguro. Jamais ficar em área aberta, como praias, ou sob árvores, por exemplo”, aconselha.
Dados da Rede Brasileira de Detecção de Descargas Atmosféricas, relativos ao último trimestre, já sob o efeito do El Niño, confirmam a tendência do aumento de tempestades com raios. “Os resultados mostram que durante eventos de El Niño muito fortes como esse, o número de ocorrência de tempestades não fica mais restrito ao Sul do País, atingindo o Sudeste e parte do Centro-Oeste.” Segundo o Elat, descargas elétricas matam, em média, 128 pessoas por ano no Brasil.
O Inpe usou os números no livro “Brasil: Que Raio de História”, recém-lançado. A publicação justifica por que o Brasil é o campeão mundial em incidências de raios. “Os resultados mostram que mortes por raios tem diminuído gradativamente e que a idade das vítimas está sendo reduzida [68% delas, nos últimos 15 anos, tinham até 24]”. Dez anos antes, essa faixa etária era de até 40; e que 7% a mais de pessoas têm morrido dentro de casa, assim como praticando atividades agropecuárias (25%). Celulares e outros eletrônicos ligados na tomada na hora de temporais seriam a principal causa das mortes.
Dicas.
As principais dicas dadas pelo Elat em casos de tempestades são: no caso de você estar na rua, procure abrigos em carros, ônibus ou outros veículos não conversíveis; em moradias ou prédios, de preferência que possuam proteção contra raios; em abrigos subterrâneos, tais como metrôs ou túneis, em grandes construções com estruturas metálicas, ou em barcos ou navios metálicos fechados. Evite segurar objetos metálicos longos, tais como varas de pesca e tripés; empinar pipas e aeromodelos com fio; andar a cavalo.
Se você estiver em um local sem um abrigo próximo e sentir que seus pelos estão arrepiados, ou que sua pele começou a coçar, fique atento, já que isso pode indicar a proximidade de um raio que está prestes a cair. Nesse caso, ajoelhe-se e curve-se para frente, colocando suas mãos nos joelhos e sua cabeça entre eles. Não fique deitado.
Os comentários estão desativados.