Segunda-feira, 02 de março de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Acontece Infectologista do Weinmann esclarece dúvidas sobre a AIDS e alerta: avanço do tratamento não pode afrouxar prevenção

Compartilhe esta notícia:

Rio Grande do Sul é o terceiro Estado do país com maior número de casos da doença, enquanto Porto Alegre lidera o ranking das Capitais com casos de morte pelo vírus. Na foto, Marcelle Duarte Alves, infectologista e médica assessora do Weinmann

Foto: Divulgação

De acordo com dados do Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2019 divulgado pelo Ministério da Saúde, o Rio Grande do Sul é o terceiro Estado do País com o maior número de casos da doença. Já Porto Alegre lidera o ranking das capitais com mais mortes causadas pelo vírus, com 22,5 óbitos a cada 100 mil habitantes, número cinco vezes superior à média nacional.

O boletim também revela que a taxa de detecção de Aids vem caindo no Brasil nos últimos anos. Em 2012, foi de 21,7 casos a cada 100 mil habitantes, e em 2018 chegou a 17,8 casos por 100 mil habitantes. A região Sul apresentou uma queda de 36,1% na taxa de detecção do vírus na última década: de 35,7 casos a cada 100 mil habitantes em 2008, para 22,8 casos, em 2018. Porém, apesar dos números mostrarem a detecção dos casos em um grande contingente de habitantes, o Ministério da Saúde informa que cerca de 135 mil brasileiros vivem com o HIV e não sabem.

“Ainda é comum as pessoas terem medo de fazer o exame. E, como o vírus pode ser silencioso inicialmente, muitos convivem com ele sem saber, o que é grave, já que o diagnóstico precoce é fundamental para o êxito do tratamento”, analisa Marcelle Duarte Alves, infectologista e médica assessora do Weinmann. Se por um lado há conquistas como a queda de mortes associadas à Aids, principalmente em virtude da efetividade dos tratamentos disponíveis, e o fato de que 85% das pessoas em tratamento chegam a zerar a carga viral, ou seja, convivem com vírus HIV, mas não o transmitem, por outro, ainda é preciso alertar para que não haja um descuido da prevenção, o que pode acarretar em novas infecções.

“A Aids ainda não tem cura e nem há vacina para ela. O tratamento, por sua vez, é para a vida toda e, por mais que hoje ele esteja mais personalizado e com menos efeitos colaterais, não pode ser desculpa para afrouxarmos a prevenção. A infecção pelo vírus HIV ainda é um grave problema de saúde pública, com sérios danos para a imunidade, podendo, em virtude das chamadas doenças oportunistas, levar ao óbito”, afirma a Dra. Marcelle.

A seguir, a especialista esclarece outros pontos importantes para se avançar no combate à Aids.

Como posso me prevenir?

A camisinha é fundamental não só para evitar a transmissão do HIV como de outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis e hepatite. É recomendado não compartilhar seringas e outros aparelhos cortantes que têm contato com o sangue. Uma dúvida muito comum é sobre manicures e estúdios de tatuagens. Nesses casos, não é possível a transmissão do HIV, mas sim dos vírus B e C da Hepatite. Agulhas e seringas devem ser esterilizadas e descartáveis. Ter seu próprio kit para unhas é uma boa pedida e escolher um local que te inspire confiança, também.

E a Profilaxia Pré (PrEP) e Pós (Pep) exposição sexual? Como funcionam?

A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) previne o contágio por meio de um comprimido, disponível no SUS para alguns grupos de risco. Ele tem eficácia de 80% a 90%, mas não substitui o uso da camisinha, já que não protege contra as demais infecções sexualmente transmissíveis, como a sífilis, que vem aumentando no Brasil. Já a Profilaxia Pós-exposição sexual (Pep) funciona como uma espécie de pílula do dia seguinte, porém não deve ser usada de forma rotineira. De toda forma, vale frisar: a camisinha é a melhor opção para se evitar a Aids e todas as outras infecções sexualmente transmissíveis.

Todo portador do vírus HIV tem AIDS?

Nem sempre. Com o tratamento adequado, não há progressão para a Aids. O avanço de tratamentos também contribui para que portadores do vírus não desenvolvam a doença. Quanto mais precocemente o indivíduo saber que possuiu o HIV, mais chances ele tem de obter êxito em tratamentos, que são para a vida toda.

Como faço para saber se tenho o vírus HIV?

É preciso fazer um exame de sangue específico, chamado anti-HIV.

Os testes rápidos funcionam?

Os testes rápidos, feitos a partir de uma gota de sangue ou da saliva, funcionam muito bem, mas podem, mesmo que raramente, apresentar falhas. É preciso, também, ter atenção à janela imunológica, que é o período entre a infecção e a produção de anticorpos pelo organismo contra o HIV em quantidade suficiente para serem detectados.

Quais são os sintomas da Aids?

Alguns sintomas que podem surgir logo após a infecção, a chamada síndrome retroviral aguda, manifestam com febre, dor de garganta, ínguas pelo corpo, entre outros. Também, a infecção pelo HIV pode passar por um período sem apresentar sintomas, chamado de fase assintomática, que tem duração variável. Neste período, o paciente apresenta a doença, não tem sintomas e pode transmitir o vírus. À medida que a doença progride, os sintomas vão aparecendo: pode ocorrer o aumento do número de algumas infecções, como pneumonia e sinusite, emagrecimento, diarreia ou lesões de pele. As infecções oportunistas são infecções características da Aids e aparecem quando o sistema imunológico já está bastante comprometido.

O vírus HIV pode ser transmitido por beijo na boca, abraço, aperto de mão e banheiro compartilhado?

Não. O vírus só é transmitido por meio do contato sexual e pelo sangue. Objetos não perfurantes, como talheres e copos, ou mesmo o compartilhamento do vaso sanitário não apresentam riscos.

Mulheres soropositivas podem engravidar sem transmitir o vírus ao bebê? E o aleitamento, é permitido?

Sim. Mulheres podem engravidar sem transmitir o vírus desde que a mãe seja medicada e siga o tratamento corretamente, acompanhada por um médico infectologista. É recomendado que a mulher esteja com boa imunidade e baixa carga viral. A criança também deve ser monitorada nos primeiros meses de vida. O aleitamento, no entanto, é proibido, já que o leite materno pode transmitir o vírus à criança.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Acontece

Startup gaúcha começa processo de internacionalização
Consumidores podem “se dar bem” com as liquidações de início de ano
Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Pode te interessar