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Economia Inflação de guerra já ronda 5% com alta dos combustíveis de aviação

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Dados recentes indicam aumento significativo do combustível. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Vários economistas têm recalibrado suas projeções de inflação por conta dos efeitos da alta do petróleo, que encarece os transportes e os insumos na agricultura e na indústria. Não é à toa que a expectativa de inflação, medida pelo IPCA e captada no relatório Focus do Banco Central, passou de 3,91% há quatro semanas para 4,31% na divulgação de hoje. Não só a expectativa aumentou, como a própria inflação corrente já capta os efeitos da guerra.

Foi o que mostrou o mais recente o IGP-M, índice de inflação calculado pela FGV, que traz variações de preço na construção civil, no varejo e no atacado/produtor agrícola e industrial. Chamou a atenção a elevação dos preços dos derivados de petróleo na indústria e dos alimentos, tanto no varejo como no atacado. Para piorar, esses efeitos não foram captados integralmente no mês. Isso significa que as próximas divulgações dos índices de inflação devem trazer números mais altos.

Segundo a Warren Investimentos, o custo do querosene de aviação (QAV), que foi reajustado em 54,6% pela Petrobras de março para abril, será um importante vetor de pressão inflacionária,

Em comunicado a clientes, a plataforma diz que dados recentes indicam aumento significativo do combustível, com alta acumulada superior a 60% na passagem mensal. Nos cálculos da Warren, o movimento eleva a participação de combustíveis nos custos das companhias aéreas de cerca de 30% a 45%.

“Mesmo com medidas mitigadoras, como o escalonamento de pagamentos anunciado pela Petrobras, a tendência é de repasse gradual às passagens aéreas”, afirma a Warren.

A corretora projeta que os bilhetes aéreos terão avanço de 36% dentro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026, o que, segundo a instituição, reforça o quadro de inflação pressionada, principalmente em um cenário no qual “o IPCA de guerra” já ronda patamares acima de 5%.

Segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo com base em dados da petroleira, o reajuste efetuado neste mês é o maior da série histórica, que teve início em 2019.

O movimento ganha ainda mais relevância devido a um estudo realizado pela Warren sobre sensibilidade a choques de guerra. “Passagens aéreas estão classificadas no grupo de alta sensibilidade, com histórico de resposta relevante e defasada a choques de petróleo. Assim, a pressão recente sobre o QAV reforça o risco de aceleração desse componente ao longo dos próximos meses.”

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