Terça-feira, 28 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 27 de julho de 2026
Sob reserva, integrantes do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e do Palácio do Planalto criticaram as declarações dos ministros Dario Durigan (Fazenda) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) direcionadas ao presidente da Argentina, Javier Milei. Segundo um diplomata diretamente envolvido na reação oficial do governo, as declarações não seguiram a linha previamente acordada entre o Itamaraty e o Palácio do Planalto.
A avaliação é que esses ministros poderiam fazer críticas a Milei, principalmente Dario Durigan, para destacar a diferença da posição econômica entre Brasil e Argentina. Mas não deveriam adotar palavras na mesma linha do argentino.
Durigan explicou que se sentiu na obrigação de responder porque Milei fez críticas à economia brasileira.
A linha que o governo deveria usar foi definida na nota intitulada “Agressões do presidente da Argentina em território brasileiro”, na qual o Itamaraty não adjetivou Javier Milei, mas disse que o presidente argentino emitiu “impropérios” ao se referir ao presidente Lula como “presidiário” e ao ministro Alexandre de Moraes como “lixo careca”.
Em reação a essas declarações, Dario Durigan, por exemplo, disse que Milei é um “palhaço”. Guilherme Boulos, por sua vez, disse que o presidente argentino é uma “caricatura patética” e um “puxa-saco” do presidente Donald Trump.
Para auxiliares diretos do presidente Lula, essas declarações “baixaram o nível”. “Acho desnecessário baixar o nível”, resumiu um interlocutor do Palácio do Planalto.
Durante entrevista para a “Rádio Jornal”, de Pernambuco, o ministro Dario Durigan afirmou que o risco-país brasileiro está melhor do que o argentino, e que o Brasil está com mínima de desemprego, de inflação, e recordes na balança comercial, assim como safra expressiva e desmatamento em queda.
“O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta”, declarou o ministro da Fazenda.
Após a declaração, Durigan falou à GloboNews e afirmou que a declaração dele foi feita de forma autônoma, e não representa uma posição do governo. No entanto, quis se manifestar considerando que as críticas do argentino foram direcionadas à pasta dele.
“Não tem o menor cabimento um presidente de outro país vir aqui, sem comunicação oficial, xingar as autoridades, criticar a política econômica, fazendo dancinha. Não dava pra não responder”, afirmou Durigan.
Dados mostram que o risco-país da Argentina, ou seja, quanto o governo paga a mais em relação à taxa dos Estados Unidos, está em cerca de 430 pontos neste início de semana, enquanto o risco Brasil oscila ao redor de 130 pontos – bem mais baixo.
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