Quinta-feira, 08 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de setembro de 2025
Os atos realizados nas 27 capitais do Brasil no último domingo (21) são vistos como a “pá de cal” para enterrar a anistia aos golpistas do 8 de Janeiro e também ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Essa é a avaliação de ministros do governo Lula e de parlamentares da base aliada.
A leitura é que os embates entre o centrão e o PL sobre o mérito da proposta já vinham enfraquecendo a pauta e sua tramitação no Congresso. Enquanto o relator do projeto, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), afirma que vai construir um texto para diminuir as penas de Bolsonaro e dos condenados pelo 8 de janeiro, focado na dosimetria, os aliados do ex-presidente na Câmara dizem que não aceitarão essa proposta. As manifestações de domingo, porém, colocaram mais combustível no já inflamado cenário da anistia e dificultarão ainda mais o avanço da pauta.
Ministros de Lula avaliam que lideranças do próprio centrão devem reavaliar seu apoio à anistia, diante da mobilização popular contrária à proposta e à PEC da Blindagem. Os próprios bolsonaristas passaram a criticar o fato de a urgência da anistia ter sido votada e aprovada na Câmara um dia após a Casa dar aval à medida que dificulta a investigação de deputados e senadores. Para eles, houve uma espécie de “contaminação da pauta da anistia” e o cenário para que a medida avance ficou ainda mais tortuoso.
Entre os governistas, a grande dimensão dos atos foi encarada não apenas como uma oportunidade de mudar a pauta imposta pelo centrão e pelas legendas de direita até então, mas também como um sinal de que a população não quer mais aceitar essa espécie de semipresidencialismo que vem sendo imposto pelo Congresso Nacional.
“Acredito que vem aí uma mudança mais estrutural. Essa aliança do centrão com o bolsonarismo, expressa na ‘PEC da Bandidagem’ e na anistia, fez explodir um sentimento de indignação contra o sistema. A pauta do país vai mudar. Esqueçam PEC da Blindagem, anistia ou redução de penas. É mais do que a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil ou o fim da escala 6×1. Creio que o semipresidencialismo que estava sendo imposto entra em xeque”, disse à coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias.
Apesar da tentativa de minimizar os atos de domingo (21), aliados de Jair Bolsonaro – de dentro e de fora do Congresso – afirmam, em reservado, que se assustaram com o tamanho das manifestações realizadas em diversas cidades do Brasil.
O local que mais impressionou os bolsonaristas foi a Avenida Paulista, em São Paulo. Os dados do Monitor do Debate Político, da USP, mostram que o ato de domingo na Avenida Paulista reuniu 42.379 pessoas. Ao comparar os números de público do mesmo monitor da USP, a presença é semelhante à do último ato realizado por bolsonaristas no local, em 7 de setembro, que levou 42,2 mil pessoas à avenida e foi considerado um sucesso de público pelas lideranças.
Aliados do capitão reformado apontam que, com a PEC da Blindagem, os parlamentares do PL que votaram em peso pela aprovação da medida “empurram para o colo” da esquerda e do governo Lula a pauta anticorrupção, que acreditavam ter o monopólio. As informações são do jornal O Globo.
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