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Geral Inteligência artificial pode ajudar a reduzir o desperdício de alimentos

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Mais pessoas têm recorrido à tecnologia para planejar refeições, aproveitar ingredientes e evitar que alimentos acabem no lixo. (Foto: Reprodução)

Com a ascensão da inteligência artificial (IA), mais pessoas têm recorrido à tecnologia para planejar refeições, aproveitar ingredientes e evitar que alimentos acabem no lixo. Segundo a pesquisa Voz do Consumidor 2025, da consultoria PwC, 61% dos brasileiros se sentem confortáveis em utilizar a IA para auxiliar no orçamento de refeições e compras de alimentos e 56% estão abertos ao uso da tecnologia para planejar cardápios e organizar listas de compras.

Esse interesse está atrelado à preocupação com o desperdício. O mesmo levantamento apontou que 75% dos entrevistados estão dispostos a comprar apenas a quantidade necessária de alimentos para reduzir o descarte. Segundo Giovanna Fioravante, nutricionista do Hospital São Camilo, quando utilizada corretamente, a IA pode se tornar aliada no aproveitamento integral. “Além de pesquisar receitas que utilizem partes alimentares que muitas vezes são descartadas, essas ferramentas podem favorecer a criatividade na hora de cozinhar, a economia doméstica e uma alimentação mais sustentável.”

Existem diversas ferramentas de IA que podem ajudar a aproveitar melhor os alimentos, entre elas ChatGPT, Gemini e Claude. Essas plataformas oferecem versões gratuitas, com algumas limitações de uso. Para utilizá-las, basta informar quais ingredientes estão disponíveis em casa ou enviar uma foto para que a IA identifique os alimentos e sugira receitas.

O processo é simples e pode ser feito em poucos passos: escolha a ferramenta; informe os ingredientes; verifique se a IA identificou corretamente os elementos e acrescente detalhes; e peça sugestões. Vale informar o tempo disponível, o número de pessoas e possíveis restrições alimentares. Você também pode pedir que a IA priorize os alimentos que precisam ser consumidos. Além de ajudar a reduzir o desperdício, a IA pode ser utilizada para planejar cardápios semanais e organizar listas de compras. Segundo Giovanna, essas ferramentas podem ajudar a diversificar as refeições, interpretar rótulos e compreender melhor as informações nutricionais dos produtos.

Antes de escolher uma plataforma, é importante verificar como ela utiliza e armazena os dados pessoais dos usuários. Segundo Wellington Silva, gerente técnico de contas da CyTracks Soluções Cibernéticas, o cuidado é necessário porque o uso inadequado ou o vazamento de informações pode trazer problemas. Por isso, o especialista recomenda não compartilhar dados como CPF, RG, endereço, renda e informações bancárias. A orientação também vale para fotografias que possam revelar detalhes da residência ou a localização do usuário. “Isso é informação demais, que não é recomendado inserir em nenhuma plataforma de inteligência artificial.”

Também é preciso ter atenção ao interpretar as respostas geradas pela IA, sempre sujeitas a erros. Silva destaca ainda que essas plataformas não têm capacidade para avaliar todas as necessidades de uma pessoa. “Por mais avançada e detalhada que seja, não vai considerar detalhes que seriam identificados por exame ou consultas com um profissional.”

Giovanna reforça o alerta, lembrando que é o nutricionista quem possui conhecimento técnico-científico para avaliar a qualidade nutricional dos alimentos, as condições de segurança e as necessidades específicas de cada um. “A tecnologia deve funcionar como uma ferramenta para complementar a atuação do profissional e auxiliar os leigos, visando a facilitar atividades no dia a dia, e não substituir o conhecimento técnico e o cuidado individualizado”, ressalta.

Quando frutas, verduras e legumes vão para o lixo, o desperdício não se limita ao dinheiro gasto na compra. Com esses alimentos também são descartados fibras, vitaminas, minerais e compostos antioxidantes. “Esses nutrientes, por vezes subestimados, participam de diversas funções do organismo, incluindo a área intestinal, a resposta imunológica e a proteção das células contra danos oxidativos”, diz Giovanna.

O desperdício também acontece durante o preparo. A nutricionista explica que as cascas de determinadas frutas e hortaliças podem fornecer fibras e compostos antioxidantes, enquanto talos e folhas podem conter vitaminas e minerais. Algumas sementes também são fontes de proteínas e gorduras insaturadas.

Nesse contexto, a IA pode ajudar a encontrar receitas que utilizem ingredientes pouco aproveitados, como talos e cascas. No entanto, antes de seguir uma sugestão, é necessário verificar se essas partes são próprias para consumo e quais cuidados de higienização e preparo são recomendados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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