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Brasil Internações por doença respiratória no Brasil crescem quase 20% em meio à Covid não diagnosticada

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Covid-19 volta a ser motivo de alta de internações em UTIs no Brasil.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Arquivo
Covid-19 volta a ser motivo de alta de internações em UTIs no Brasil. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Arquivo)

A poucas semanas do inverno em boa parte do Brasil, época de maior disseminação de vírus respiratórios, o País enfrenta uma temporada de casos leves de Covid-19 não diagnosticados, seja por sintomas que passam despercebidos pelos próprios pacientes, seja pela falta de testagem nos serviços de saúde. Entretanto, na outra ponta, pessoas com a doença mais vulneráveis, mesmo vacinadas, estão sendo mais hospitalizadas.

Dados oficiais mostram uma alta de 73% na média móvel diária de novos casos em 31 de maio (26 mil) na comparação com o início do mês.

Ainda assim, o patamar é considerado “irreal” pelo vice-presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e chefe da infectologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Botucatu (SP), Alexandre Naime Barbosa. “A gente suspeita que menos de 50% dos casos sintomáticos estejam sendo testados.”

O mais recente boletim InfoGripe, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), divulgado nesta quarta-feira (1º), aponta uma estimativa de 7.200 internações por Srag (síndrome respiratória aguda grave) em todo o país entre 22 e 28 de maio – eram 6.100 na semana anterior (alta de 18%). Desse total, 59,6% estão associados à Covid-19.

Para o coordenador do InfoGripe, o pesquisador Marcelo Gomes, vivemos “um cenário em que corremos um risco muito grande de ter um inverno, de novo, com valores significativos de internações”. O InfoGripe compila dados sobre doenças respiratórias no país.

Ele faz uma comparação com dezembro de 2021 e janeiro deste ano, quando a entrada da variante Ômicron do coronavírus no País, associada a um relaxamento das medidas de proteção, provocou uma elevação do número de novos casos, embora sem reflexo nas internações.

“Foi o grande teste de fogo da vacina. Naquele momento, o público de idade mais avançada tinha a dose de reforço em dia. O restante da população, não. Só que para os jovens adultos a segunda dose era relativamente recente. Agora não é. Tirando o grupo dos idosos, a adesão à dose de reforço está muito baixa. Aí é um risco. Podemos ter um inverno diferente, a população de modo geral não abraçou a vacinação por diversos motivos”, explica Gomes.

Em relação à vacina, também cabe ressaltar que quatro em cada dez brasileiros aptos ainda não tomaram a dose de reforço. Indivíduos com esquema incompleto (com apenas uma ou duas doses) ou não vacinados correm risco de evoluir para quadros graves de Covid-19.

O vice-presidente da SBI lista três causas para a falta de testagem no Brasil que se refletem em estatísticas gerais “de baixa qualidade”.

  • Oferta de testes: por haver uma redução no número de exames, já é possível observar que aumentou a positividade geral, pois os que realizam testes normalmente são pessoas com sintomas e quadros mais característicos de Covid. Indivíduos com coriza, por exemplo, podem ser dispensados de serviços médicos sem testagem.
  • Falha de comunicação: órgãos públicos não incentivam a população a buscar a testagem. Esta, consequentemente, não se isola, mesmo com sintomas gripais leves.
  • Autotestes: os resultados dos exames feitos em casa não são reportados ao Ministério da Saúde. “O autoteste é um bom exame de triagem. Se ele der positivo, muito possivelmente o indivíduo estará com Covid. [Mas] Este resultado precisa ser notificado”, acrescenta Alexandre Barbosa, da SBI.

Para o médico, o momento de alta de casos e internações exige que as pessoas estejam atentas ao seu estado de saúde.

“As pessoas não devem menosprezar qualquer sintoma. Devem procurar a testagem, porque estamos com um vírus de alta transmissão circulando, que é o Sars-CoV-2, e também tem o influenza. Eu não sei por que mudou a conduta e as pessoas estão parando de investigar quadro gripal”, diz.

O coordenador do InfoGripe afirma que, com a mudança no comportamento individual e dos serviços de saúde, “o acompanhamento de casos leves associados à Covid fica muito prejudicado”.

“É um período típico em que a gente espera estar resfriado por conta do clima. Tem essa questão cultural de que a gente tende a menosprezar mesmo – e é compreensível. Não é uma crítica ao comportamento das pessoas”, explica.

Internações e mortes

Pessoas que não fazem teste e continuam circulando com sintomas gripais podem levar a Covid-19 para idosos e imunossuprimidos, que possuem risco de complicações por terem um sistema imunológico que não responde tão bem às vacinas, mesmo com a quarta dose.

Proteção de vulneráveis

O crescimento de casos, internações e óbitos acende um alerta em autoridades sanitárias. Em São Paulo, já se discute a volta do uso de máscara em ambientes fechados. Nesta terça (31), o Comitê Científico do estado recomendou ao governo a retomada do uso de máscara em ambientes fechados.

Nos grandes hospitais particulares da capital paulista, as internações por Covid-19 mais que dobraram nos últimos 30 dias.

O maior hospital privado de Porto Alegre, o Moinhos de Vento, instalou nesta semana uma tenda para testagem de Covid-19 e influenza no estacionamento, o que remete aos momentos mais críticos da pandemia. A decisão foi tomada diante do aumento do número de pacientes com síndrome gripal.

“O maior risco da Covid não diagnosticada é para a coletividade, principalmente para as populações mais vulneráveis, que mesmo completamente vacinadas têm uma chance maior de evolução para Covid grave”, afirma Barbosa.

Inverno de incertezas

Este será o primeiro inverno com comportamento social praticamente igual ao do período pré-pandemia. Com as pessoas de volta aos ambientes de trabalho e ensino, quase sempre sem a exigência de máscara, a tendência é uma disseminação maior de todos os vírus respiratórios, inclusive o Sars-CoV-2.

“Estamos vivendo uma particularidade neste momento, que é o fato de que, nos últimos dois anos da epidemia, no período típico em que o clima favorece o aparecimento de doenças respiratórias, a gente estava com um comportamento muito diferente. Isso tem um papel importante. O nosso comportamento ao longo dessa trajetória acabou sendo muito mais importante para a dinâmica da circulação [do vírus] do que o próprio clima”, destaca Gomes.

O boletim InfoGripe mostra uma prevalência de internações por Sars-CoV-2, mas também há um grande número de crianças internadas por infecção pelo vírus sincicial respiratório.

A gripe também começa a ganhar espaço entre os casos que se agravam, em um cenário com menos da metade dos grupos prioritários vacinada até agora.

“Qualquer situação de aglomerar pessoas sem ventilação é propícia para a transmissão de doenças respiratórias. É por isso que esperamos que haja um aumento não só de Sars-CoV-2, mas também de outros vírus de transmissão respiratória”, complementa o vice-presidente da SBI.

Prever qual será a situação durante os meses de inverno no Brasil é ainda difícil, mas Marcelo Gomes considera que medidas simples, como o uso voluntário de máscara em locais fechados, contribuem positivamente.

“Apostar que vai ser tranquilo, estamos apostando em vidas. É um preço muito alto para fazer essa aposta. É preferível trabalhar com um cenário de prevenção e precaução a apostar que vai ser tranquilo e correr o risco de ser surpreendido. É um princípio básico de ação em saúde pública: temos que prezar o cenário de maior cautela”, encerra.

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