Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 8 de abril de 2020
O investidor sino-brasileiro Lawrence Pih considerou inconsequente do ponto de vista econômico a provocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, contra a China na postagem que imita o Cebolinha na rede social. “Tem de ser muito desqualificado para vilipendiar a China, o maior parceiro comercial do Brasil, sem falar do fato de ser o maior fabricante de produtos de proteção contra a Covid-19 do mundo, algo que tanto precisamos neste momento”, afirma.
Pih receia que a postura de confronto do governo, não só nas investidas contra a China, mas internamente, como na turbulência com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, possa conduzir o País a uma crise institucional em ritmo acelerado, piorando a situação.
O investidor também prevê que o ataque de Weintraub somado ao episódio anterior do deputado Eduardo Bolsonaro ainda terá uma reação chinesa custosa ao País.
“A resposta não tardará. Ofender a China e seu povo de forma tão rasa e nauseante por quê? Por acaso Weintraub fala mandarim? Educação ele tem pouca. Quanto a Eduardo Bolsonaro, precisaria dominar o inglês antes de aspirar a ser embaixador”, afirma.
Para Lawrence Pih, os ministros Weintraub e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) seguem a linha ideológica de Olavo de Carvalho para se manterem nos cargos, mas não estão qualificados para as funções.
“Eduardo Bolsonaro, Weintraub e Ernesto Araújo, pertencem a uma ala extremista, xenófoba e racista. Araújo e Weintraub têm pouquíssima qualificação”, diz ele.
Notícia-crime
O historiador e colunista da Fórum Vinicius Gomes Wu apresentou uma notícia-crime por racismo contra o ministro da Educação no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na ação, Wu argumenta que Weintraub, por suas recentes declarações contra a China, incorreu no crime de racismo, conforme previsto na Constituição brasileira: “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.
No último sábado (4), o ministro publicou a capa de uma edição do gibi da Turma da Mônica que se passa na China e usou a fala típica do personagem Cebolinha, que troca o R pelo L, para ridicularizar a forma como imigrantes asiáticos falam português. Weintraub ainda insinuou que a China obteria benefícios com pandemia de coronavírus.
Apesar da reação da Embaixada da China no Brasil, o ministrou do governo Bolsonaro retomou as declarações racistas e em uma live do deputado filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, e em uma entrevista na TV Bandeirantes. Todos os episódios foram relatados na notícia-crime, bem como os laços significativos entre Brasil e China.
“A manifestação do Noticiado, além de indigna e repugnante, é totalmente incondizente com o padrão de conduto exigido de um ministro de Estado, prejudica o Brasil em suas relações internacionais e discrimina gravemente o povo chinês e os descendentes de chineses que têm em nosso país sua pátria e sua casa”, afirma Wu, em trecho da notícia-crime a que a Fórum teve acesso. As informações são do site Conversa Afiada.
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