Terça-feira, 31 de março de 2026
Por Redação O Sul | 26 de março de 2026
O Irã rejeitou o plano de 15 pontos apresentado pelo presidente americano, Donald Trump, para encerrar a guerra lançada há quase um mês por EUA e Israel, fazendo novas exigências para baixar as armas, interromper os ataques e liberar a navegação pelo Estreito de Ormuz, atualmente bloqueada à maior parte dos navios. Mesmo antes da rejeição, anunciada pela estatal iraniana Press TV, autoridades em Teerã negavam a ocorrência de contatos entre os dois lados e deixavam entender nas entrelinhas que aceitar a proposta seria equivalente a uma declaração de derrota.
“O Irã encerrará a guerra quando decidir fazê-lo e quando suas próprias condições forem atendidas”, disse um representante do governo iraniano, não identificado, reiterando que Teerã continuará a infligir “pesados golpes” no inimigo e classificando as demandas dos EUA de “desconectadas da realidade do fracasso americano no campo de batalha”.
De acordo com a Press TV, citando o funcionário do governo, o regime estabeleceu cinco condições para encerrar a guerra: a completa cessação das “agressões e assassinatos”; o estabelecimento de mecanismos concretos “para garantir que a guerra não seja reimposta à República Islâmica”; o pagamento de indenizações e reparações de guerra; o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, onde Israel prepara uma invasão terrestre; e a declaração de que “o exercício da soberania do Irã sobre o Estreito de Ormuz é e continuará sendo um direito natural e legal”.
Outra fonte no governo, ouvida pela rede catari al-Jazeera, disse que a proposta dos EUA é “extremamente maximalista e irrazoável”, que “não é bonita nem no papel”, e a classificou de “enganosa e tendenciosa”. A agência estatal Fars, próxima à Guarda Revolucionária, também anunciou a rejeição do plano americano, acrescentando que o Irã seguirá “focado em seus objetivos” até que o fim da guerra, e não um cessar-fogo, seja obtido.
“Se o Irã não aceitar a realidade do momento atual, se não entender que foi derrotado militarmente e continuará sendo, o presidente Trump garantirá que seja atingido com mais força do que jamais foi”, declarou na quarta-feira a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, em uma coletiva. “O presidente Trump não blefa e está preparado para desencadear o inferno. O Irã não deve errar novamente.”
Na segunda-feira, depois de adiar o ultimato de 48 horas dado ao Irã para liberar o Estreito de Ormuz, sob pena de ter sua infraestrutura de energia atacada, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que estava em contato com “o homem que acredita ser o mais respeitado” em Teerã. Especula-se que falava de Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento e representante da linha dura do regime.
Um dia depois, surgiram detalhes sobre um plano de paz de 15 itens, que seria o ponto de partida para encerrar a guerra lançada pelo republicano no fim de fevereiro e da qual ele parece ter pressa para se livrar, dada a impopularidade do conflito em casa — pesquisa Reuters/Ipsos de anteontem indicou que apenas 35% dos americanos apoiam os ataques ao Irã. Segundo fontes diplomáticas, a proposta determina o desmantelamento das capacidades nucleares iranianas — com o fim do enriquecimento de urânio — e exige um compromisso de que o país jamais buscará uma bomba atômica. Os americanos exigem o fim da rede de milícias aliadas de Teerã no Oriente Médio, reminiscentes do chamado Eixo da Resistência, e a garantia de que o Estreito de Ormuz seja declarado zona de livre navegação. Em outro ponto sensível, o programa de mísseis balísticos seria redesenhado, com armas permitidas apenas para fins de autodefesa.
Em troca, sanções ligadas ao programa nuclear seriam retiradas, os EUA se comprometeriam a desenvolver um projeto de geração de energia nuclear na central de Bushehr — hoje operada em parceria com a Rússia — e eliminariam um mecanismo de retomada automática de sanções em caso de descumprimento ou suspeita de descumprimento das regras, o “snapback”. Segundo diplomatas ouvidos pelo jornal britânico The Guardian, as propostas são similares às apresentadas pelos americanos em conversas em maio do ano passado, interrompidas pela ofensiva lançada em junho por Israel, logo seguida pela americana. No fim de fevereiro, EUA e Irã também estavam à mesa de negociações horas antes de as bombas começarem a cair de surpresa, um elemento a mais na desconfiança de Teerã em relação a Washington.
O plano atual foi entregue aos iranianos pelo Paquistão, na terça-feira, mas os sinais de que não prosperaria eram abundantes.
“Se a autoproclamada superpotência mundial pudesse ter escapado dessa situação, já o teria feito. Não chamem sua derrota de acordo”, disse Ebrahim Zolfaghari, porta-voz da Guarda Revolucionária. “A era de suas promessas acabou. Hoje, existem apenas duas frentes no mundo: a verdade e a mentira. E ninguém que busque a liberdade será enganado por suas ondas midiáticas (dos EUA).” As informações são do jornal O Globo.
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