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Política Irritados com depoimento à Polícia Federal sobre tentativa de golpe de Estado, militares e bolsonaristas chamam Freire Gomes de “traidor”

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General Freire Gomes confirmou que ex-presidente apresentou minuta golpista aos chefes das Forças Armadas. (Foto: Divulgação)

Militares suspeitos de participação na tentativa de golpe de Estado e aliados políticos de Bolsonaro passaram o final de semana organizando uma estratégia para “fritar” o ex-comandante do Exército Freire Gomes.

A medida se deu após Gomes passar cerca de 7 horas depondo à Polícia Federal (PF) sobre o roteiro do golpe em curso durante o governo Bolsonaro.

O general depôs por mais de sete horas, começando por volta das 15h da última sexta-feira (1°) e terminando às 22h. Essa foi a oitiva mais longa desde o início da Operação Tempus Veritatis, da PF.

Freire Gomes, na condição de testemunha, colaborou – e muito – com as investigações. A preocupação é com o que pode existir de detalhamento de Freire Gomes a respeito de discussões sobre minuta do golpe, o papel do Ministério da Justiça e negativas de forma categórica de que houvesse qualquer indício de fraude em urnas.

Para investigadores, Freire Gomes é um personagem que teria evitado o golpe – por isso, para bolsonaristas e militares – e a informação de que ele decidiu falar como testemunha fez com que militares repassassem, no fim de semana, mensagens e vídeos uns aos outros chamando Freire Gomes de “traidor” e traçando estratégia para “queimar” Gomes.

Em um desses vídeos, que circula há dias entre militares, antes até do depoimento de Gomes à PF, aliados de Bolsonaro afirmam que “general que traiu Bolsonaro pode se complicar” e que ele “enrolou” e “enganou” Bolsonaro com discussões sobre artigos da Constituição. E que ele não ia interferir – mas tinha que “parecer” que ia.

Bolsonaristas irritados, agora, se esforçam para atribuir a Freire Gomes omissão por não ter esvaziado os acampamentos golpistas. Essa é a principal estratégia dos golpistas irritado com Gomes para “fritá-lo”.

Para a PF, o depoimento dele foi bastante esclarecedor, inclusive em relação a superiores dele, e ao papel do MJ à época.

Cid e as minutas

A PF espera fechar o enredo da investigação do roteiro do golpe com as informações obtidas no depoimento de Freire Gomes – e cruzando com Mauro Cid.

Cid será chamado a depor novamente para confirmar as informações levantadas pela PF sobre as minutas do golpe encontradas na investigação. Se mentir ou omitir, pode perder benefícios de sua delação premiada.

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