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Brasil Isolamento, cloroquina, popularidade: entenda as crises entre Bolsonaro e Mandetta, o ministro da Saúde que foi demitido

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Mandetta e Bolsonaro divergem sobre ações contra o coronavírus. (Foto: Isac Nóbrega/PR)

A saída de Luiz Henrique Mandetta (DEM) do cargo de ministro da Saúde, ocorrida na tarde desta quinta-feira (16), coloca fim em uma gestão marcada pelo embate com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre o combate à pandemia do novo coronavírus. Mandetta se reuniu com Bolsonaro às 15h45min e confirmou sua saída pelas redes sociais.

A retirada de Mandetta do governo já era esperada há semanas. Na manhã desta quinta, ele afirmou que sua saída era iminente, e não passaria desta sexta-feira (17). No lugar dele, o Planalto escolheu o oncologista Nelson Teich.

No Twitter, Mandetta anunciou a demissão. “Acabo de ouvir do presidente Jair Bolsonaro o aviso da minha demissão do Ministério da Saúde. Quero agradecer a oportunidade que me foi dada, de ser gerente do nosso SUS, de pôr de pé o projeto de melhoria da saúde dos brasileiros”, escreveu.

O protagonismo que Mandetta ganhou por liderar a atuação contra a Covid-19 foi um dos pontos que incomodou Bolsonaro. A aprovação do Ministério da Saúde sob seu comando era maior que a do presidente, segundo pesquisa Datafolha.

Isolamento x economia

O isolamento social foi, desde o início da crise, um ponto central de desentendimento entre os dois. Seguindo recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde), Mandetta vinha defendendo a quarentena para conter o vírus. Na segunda-feira (6), no entanto, o ministério propôs afrouxar a medida na próxima semana em locais onde não haja comprometimento de mais da metade da capacidade de atendimento instalada antes da pandemia.

Já Bolsonaro mantinha posição radical contra as medidas de restrição e diz que o isolamento não deve se aplicar a todos, pois impactaria drasticamente a economia. Ele tem batido de frente com governadores e prefeitos que têm aplicado quarentenas em seus estados e cidades.

Cloroquina

O remédio, utilizado contra malária e lúpus, é propagandeado por Bolsonaro como uma das curas para a Covid-19. O presidente chegou, inclusive, a exibir caixas do medicamento em seus encontros diários com apoiadores na frente do Palácio do Alvorada.

Sob Mandetta, o Ministério da Saúde tem defendido uma posição comedida, aguardando por evidências científicas concretas de que o uso da substância é eficaz contra a Covid-19.

A divergência entre o ex-ministro e o presidente ficou clara durante uma reunião interministerial em que Mandetta quase foi demitido por Bolsonaro.

O então ministro foi levado a uma sala para assinar um decreto sobre uso da substância, mas ele se negou a endossá-lo. Mandetta sempre reforçou que a decisão será embasada na ciência. Pouco depois, negou ter sido pressionado pelo presidente.

Gota d’água

O choque de posicionamentos fez Mandetta dizer à TV Globo, no domingo (5), que o brasileiro “não sabe se escuta o ministro da saúde ou se escuta o presidente da República”.

A postura de enfrentamento teria sido recomendada por aliados do ministro. Antes, Mandetta sempre demonstrava uma tentativa de contemporizar, amenizando críticas a Bolsonaro. Depois, ele admitiu que a fala foi um erro.

A entrevista fez o então ministro perder o apoio de quem o sustentava no cargo em meio aos constantes choques com o presidente: o dos militares. “Mandetta não poderia ter desafiado o presidente em público”, disse um militar que atua no Planalto.

Bolsonaro não chegou a comentar publicamente a fala de Mandetta. O vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), no entanto, declarou que o ex-ministro cometeu uma “falta grave”.

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