Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de março de 2020
Identificado pela primeira vez em dezembro de 2019 na China, o novo coronavírus se espalhou por quase todo o mundo. Por causa de sua disseminação, a Organização Mundial da Saúde decretou a Covid-19 como uma pandemia. Sua rápida disseminação tem intrigado e causado medo nas pessoas. Para sanar algumas dúvidas, o jornal O GLOBO reuniu as principais informações dadas por especialistas – médicos e cientistas – sobre a Covid-19
A Covid-19 é uma doença nova e que, inicialmente, apresenta sintomas semelhantes aos de uma gripe. Mas quando seu quadro evolui, provoca um tipo de pneumonia bem diferente do que os especialistas estão acostumados a tratar.
Segundo a pneumologista Margareth Dalcolmo, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fiocruz, a pneumonia causada pela infecção do novo coronavírus se caracteriza por ser intersticial e que evolui com fibrose pulmonar, muitas vezes precoce. As tomografias dos pulmões mostram marcas que se parecem com fibroses antigas, algo que, de acordo com a especialista, nunca foi visto antes.
Outro fator que chama a atenção de médicos e cientistas é que o processo inflamatório gerado pela doença é muito grande. Dalcolmo afirma que a inflamação começa pelos pulmões, mas depois se espalha pelo corpo, afetando outros órgãos.
Já Patrícia Rocco — chefe do Laboratório de Investigação Pulmonar da UFRJ e membro da Academia Nacional de Medicina e da Academia Brasileira de Ciências — afirma que alguns pacientes apresentam embolia pulmonar, deteriorando ainda mais os pulmões. Além da febre, tosse seca e dificuldade de respirar, pesquisadores e autoridades de saúde estrangeiras têm alertado para outro sintoma que pode indicar infecção pelo novo coronavírus: a súbita perda de olfato, a anosmia, e de paladar, a ageusia.
Prevenção e isolamento
Os cuidados com a higiene, como lavar as mãos com água e sabão frequentemente ou limpá-las com álcool gel, é uma das principais maneiras de se proteger contra o novo coronavírus. É preciso também evitar levar as mãos os olhos, boca e nariz, principalmente quando elas não estiverem higienizadas.
Mas, desde que a transmissão da Covid-19 no Brasil passou a ser comunitária — quando não é possível saber de quem se pegou a doença — muitos municípios e estados iniciaram uma quarentena, com a suspensão de aulas, fechamento de comércio e indicação de trabalho remoto. A ideia é isolar as pessoas, para evitar o risco de contágio.
O tema é complexo, pois o fechamento do comércio e o menor número de pessoas circulando pelas ruas impacta diretamente na economia. Mas, para Dalcolmo, é preciso defender o isolamento social radical. “Isso tem um alto custo econômico, terrível mesmo. Mas a doença custará ainda mais caro. O Brasil tem milhões de trabalhadores informais. O governo tem que ajudá-los, mas a iniciativa privada também deveria colaborar com essa parte. Não haverá vacina para salvar as pessoas nessa pandemia. A vacina será para daqui a cerca de dois anos. Mas as pessoas estão morrendo agora”, alerta a pneumologista da Fiocruz Margareth Dalcolmo.
Tratamento
Até agora, nenhum tipo de remédio ou tratamento foi oficialmente indicado para o tratamento da Covid-19. De acordo com Patrícia Rocco o que há, por enquanto, são estratégias com remédios e outras não-farmacológicas, como as células mesenquimais. “Mas todos os estudos foram realizados em um número pequeno de pacientes, em diferentes momentos da doença, o que não permite que indiquemos tais terapias de forma rotineira.”
Estudos iniciais, no entanto, indicaram que a hidroxicloroquina apresentou bons resultados quando administrada em pacientes com quadro grave do novo coronavírus. Vários cientistas do mundo, então, passaram a fazer novos testes com o remédio, na tentativa de encontrar um protocolo de tratamento para a doença.
Recuperação
De acordo com a médica Patrícia Rocco, a maioria dos pacientes que for acometido pelo coronavírus ficará curado. Entretanto, cerca de 15% dos pacientes irão evoluir para pneumonia e/ou falência respiratória aguda. Aqueles que apresentam falência respiratória e necessitam de entubação orotraqueal e ventilação mecânica apresentam letalidade alta, de 80% a 90%, dependendo do país.
“O tratamento pode se estender por semanas. Os pacientes que são entubados ficam, em média, de duas a três semanas nas unidades de terapia intensiva. Isso é grave, pois ocupa os leitos e o uso dos respiradores mecânicos. Infelizmente, poucos doentes sairão do respirador, entre 10% e 20%.” As informações são do jornal O Globo.
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