Domingo, 31 de agosto de 2025
Por Redação O Sul | 30 de agosto de 2025
Ao dar início à ofensiva que atraiu condenação internacional, Israel declarou a Cidade de Gaza, a maior do território palestino, uma zona de combate e suspendeu a entrada de ajuda humanitária. O exército israelense também anunciou a recuperação dos corpos de dois reféns levados pelo grupo terrorista Hamas.
Tanques de Israel avançaram pela periferia da Cidade de Gaza nessa sexta-feira (29). O bairro de Zeitoun foi arrasado. Embora agências da ONU e grupos de ajuda humanitária tenham condenado a ofensiva, a população afirma que a classificação de “zona de combate” faz pouca diferença, uma vez que os bombardeios já vinham aumentando.
A decisão de interromper a entrada de comida – das 10 horas às 20 horas – deve agravar a fome no território. Um comandante militar disse que Israel continuaria tentando facilitar a entrega de ajuda, mas não ofereceu detalhes sobre como isso poderia ser feito em meio aos combates.
A classificação anunciada ontem ocorre semanas depois de Israel anunciar pela primeira vez planos para ampliar sua ofensiva na cidade. “Intensificaremos nossos ataques até trazermos de volta todos os reféns sequestrados e desmantelarmos o Hamas”, disse Avichay Adraee, porta-voz do exército, que pediu para que os moradores da Cidade de Gaza se desloquem para o sul.
Deslocamento
A ONU disse, na quinta-feira, que 23 mil pessoas se retiraram da cidade na última semana, mas muitos afirmaram estar exaustos demais, após múltiplos deslocamentos. A Igreja da Sagrada Família, na Cidade de Gaza, afirmou que 440 pessoas abrigadas no local permaneceriam com os membros do clero.
Cerca de 80% de Gaza está sob ordens de retirada, com civis amontoados em apenas um quinto de sua área total. Mesmo essas áreas não são seguras, uma vez que ataques israelenses não pouparam áreas rotuladas de “zonas humanitárias”.
Israel chamou a Cidade de Gaza de “reduto do Hamas”, alegando que uma rede de túneis continua em uso, apesar de vários ataques na área ao longo dos 23 meses de guerra.
O primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, disse que Israel precisa reduzir as capacidades do Hamas na cidade para evitar uma repetição do ataque de 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra.
Reféns
Um dos corpos recuperados é de Ilan Weiss, que foi assassinado nos ataques de 2023. A identidade do segundo cadáver não foi revelada. “A ofensiva para devolver os reféns continua. Não descansaremos até que todos voltem para casa – tanto os vivos quanto os mortos”, disse Netanyahu.
Weiss, que tinha 55 anos em 2023, foi assassinado no ataque ao kibutz Be’eri, uma das comunidades do sul de Israel invadidas pelo Hamas. Sua mulher e uma de suas filhas, que sobreviveram ao ataque, também foram feitas reféns e devolvidas a Israel em troca de prisioneiros palestinos, em novembro de 2023.
Os corpos de cerca de 30 reféns ainda estão com o Hamas. Autoridades israelenses acreditam que outros 20 reféns ainda estejam vivos. No total, o Hamas sequestrou 251 pessoas.
Pressão internacional
Netanyahu está sob crescente pressão para chegar a um cessar-fogo que liberte todos os reféns e ponha fim ao conflito. O Fórum das Famílias de Reféns e Desaparecidos de Israel, que organizou protestos em larga escala exigindo um cessar-fogo, disse que o governo deve priorizar um acordo para o retorno tanto dos vivos quanto dos mortos.
“Convocamos o governo israelense a entrar em negociações e permanecer na mesa até que o último refém volte para casa. O tempo está se esgotando para os reféns e para o povo de Israel, que carrega esse fardo,” disse o grupo, em comunicado.
As negociações para um cessar-fogo estagnaram nas últimas semanas, mesmo com a pressão militar israelense sobre o Hamas. Netanyahu afirmou que não recuará até que todas as suas condições sejam cumpridas, incluindo o desarmamento completo do grupo e o estabelecimento de uma nova governança pós-guerra que exclua os terroristas. Com informações de O Estado de S. Paulo