Sábado, 03 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 8 de abril de 2026
Israel reagiu com insatisfação ao cessar-fogo envolvendo o Irã após ter sido informado apenas na fase final das negociações, sem participação formal nem consulta ao longo das tratativas, segundo mediadores e fontes ouvidas pelo The Wall Street Journal. O governo israelense recebeu a confirmação de que o entendimento estava fechado já nos momentos que antecederam o anúncio oficial da trégua de duas semanas, divulgado poucas horas antes do prazo estabelecido pelo presidente americano, Donald Trump.
A interlocução com Washington se limitou a um telefonema de Trump ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pouco antes da divulgação do cessar-fogo, segundo um funcionário da Casa Branca. Na conversa, Netanyahu concordou em aderir ao acordo. Procurado, o gabinete do premier não comentou.
Além da forma como foi conduzido o processo, integrantes do governo israelense também demonstraram desconforto com os termos. Um dos pontos de divergência foi a possível inclusão do Líbano no acordo, hipótese rejeitada por Israel, que trata o país e o Irã como frentes distintas no conflito.
Na manhã dessa quarta-feira, Netanyahu afirmou que o cessar-fogo não abrange o território libanês, contradizendo uma declaração anterior do Paquistão, que atua como mediador das negociações.
Apesar das críticas, as Forças Armadas de Israel informaram que suspenderam as operações militares contra o Irã. Ao mesmo tempo, indicaram que os ataques contra o Hezbollah, no sul do Líbano, continuvam em andamento.
O Irã voltou a suspender a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, menos de 24 horas depois do anúncio de um cessar-fogo na guerra lançada por EUA e Israel no final de fevereiro. A retomada do tráfego na área, por onde transitam 20% do petróleo e gás comercializados no planeta, é um ponto central do plano, mas Teerã creditou a decisão à nova série de ataques israelenses no Líbano.
De acordo com a agência Fars, duas embarcações passaram por Ormuz nesta quarta-feira, mas o local foi bloqueado mais uma vez depois da série de violentos bombardeios israelenses contra o Líbano, oficialmente voltados ao Hezbollah — grupo aliado de Teerã — mas que atingiram áreas densamente populadas onde a organização não está presente. Segundo o Ministério da Saúde, 89 pessoas morreram e 772 pessoas ficaram feridas.
Autoridades locais dizem que foram mais de 100 ataques em um intervalo de 10 minutos, e alguns descrevem um cenário parecido com a da devastação da Guerra Civil Libanesa (1975-1990). Desde o começo de março, Israel bombardeia o Líbano e dá passos cruciais para invadir e ocupar uma parte sul do país, deixando mais de 1,5 mil mortos e um milhão de deslocados internos. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.
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