Segunda-feira, 25 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 16 de junho de 2025
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, admitiu que a queda do regime no Irã pode ser um dos objetivos da ofensiva iniciada na última sexta-feira, um confronto que, segundo ele, durará o tempo necessário para que Tel Aviv elimine a “ameaça existencial” representada por Teerã. Os dois países trocaram novos ataques ontem, elevando o número de vítimas em ambos os lados e os temores de uma guerra prolongada no Oriente Médio.
Questionado em entrevista à emissora “Fox News” se a derrocada do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, fazia parte dos planos, Netanyahu sinalizou, pela primeira vez, que este poderia ser o resultado da ofensiva. Segundo ele, a ação militar israelense visa impedir que o regime iraniano, classificado por ele como “fraco” e “incendiário”, obtenha as “armas mais perigosas do mundo”. “Estamos preparados para fazer o que for necessário para atingir nosso duplo objetivo de remover duas ameaças existenciais: a nuclear e a dos mísseis balísticos”, afirmou.
Netanyahu já havia gravado uma mensagem pedindo abertamente ao povo iraniano que se levante contra o regime islâmico que governa o país desde 1979. No entanto, o premiê negou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha vetado um plano israelense para matar Khamenei, o que teria ocorrido, segundo funcionários do governo americano. “Há tantas notícias falsas que nunca aconteceram e não vou entrar nesse assunto”, disse. “Nós fazemos o que precisamos fazer”.
Na nova onda de ataques, explosões sacudiram Tel Aviv na tarde de ontem, no primeiro ataque de mísseis à luz do dia feito pelos militares iranianos. Segundo os serviços de emergência de Israel, 14 pessoas morreram e 400 ficaram feridas desde o início da retaliação. Cerca de 22 dos 270 mísseis balísticos disparados pelo Irã nas duas últimas noites atravessaram o escudo antimísseis de Israel, disseram autoridades israelenses.
Mais tarde, após anoitecer, o Irã lançou uma segunda onda de mísseis, que atingiu Haifa, uma cidade em que vivem judeus e árabes no norte de Israel. Um oficial das forças armadas israelenses disse que uma casa de repouso para idosos foi atingida. O serviço nacional de emergência informou que nove pessoas ficaram feridas nesse ataque e mais duas com o impacto de um míssil no sul de Israel.
Depois de eliminar o alto escalão militar do Irã, cientistas do programa nuclear e danificar as principais instalações atômicas do país na ofensiva surpresa da sexta-feira, os ataques israelenses a Teerã mataram ontem o chefe da área de inteligência da Guarda Revolucionária, Mohammad Kazemi, e seu vice, segundo a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim.
Um porta-voz do Ministério da Saúde do Irã informou que 224 pessoas morreram e mais de 1.200 ficaram feridas nos ataques, sendo que 90% das vítimas eram civis. Desse total, 60 pessoas morreram no sábado, metade delas crianças, em um ataque contra um prédio de 14 andares em Teerã.
Diante da iminência de novos bombardeios, as Forças Armadas dos dois países lançaram alertas à população civil para que deixem regiões próximas a instalações militares. “Não fiquem perto dessas áreas críticas nem viajem por elas”, disse um porta-voz do Exército do Irã em um vídeo na TV estatal.
Uma autoridade israelense afirmou que ainda há uma longa lista de alvos no Irã e se recusou a informar por quanto tempo a ofensiva continuará. Já o Irã prometeu “abrir os portões do inferno” em retaliação ao que se tornou o maior confronto já registrado entre os dois velhos inimigos.
Enquanto os dois países trocam ameaças, crescem as dúvidas se os EUA se envolverão em uma ação militar contra o Irã, especialmente para destruir a instalação nuclear de Fordow, projetada nas profundezas de uma montanha para estar fora do alcance israelense. Especialistas afirmam que, sozinho, Israel não tem poder de fogo para destruir o local.
Até o momento, os americanos têm atuado apenas para ajudar Israel a abater mísseis lançados pelo Irã. Mas ontem Trump abriu caminho para um maior envolvimento americano, alertando ao regime de Teerã que não ataque alvos dos EUA. “Se formos atacados de alguma forma pelo Irã, toda a força e o poder das Forças Armadas dos EUA vão cair sobre ele em níveis nunca vistos antes”, escreveu o presidente em um post no Truth Social. “No entanto, podemos facilmente conseguir que Irã e Israel fechem um acordo e acabar com este conflito sangrento”.
Trump tem afirmado reiteradamente que o Irã poderia acabar com a guerra se aceitasse fortes restrições ao seu programa nuclear, que o Teerã afirma ter fins pacíficos, mas os países ocidentais consideram que pode ser usado para fabricar uma bomba.
A última rodada de negociações sobre a questão nuclear entre o Irã e os EUA, prevista para este ontem em Omã, foi cancelada depois que Teerã avisou que não negociaria enquanto estivesse sob ataque israelense. As informações são do portal Valor Econômico.
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